"Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores" (João 4.23)
Quem são os verdadeiros adoradores e onde estão? Considero interessante a idéia do próprio Pai "procurar" sobre a terra este tipo tão especial de discípulo. Pode ser que eles não sejam muitos, já que este "gargalo" de filtragem é bem estreito.
A primeira filtragem é onde encontrar os verdadeiros adoradores. Jesus disse à mulher samaritana que era chegada a hora em que o lugar e a posição de se adorar não eram mais tão importantes. Não era no monte Gerizim de Samaria, nem nos sete montes de Jerusalém. Não importava mais se o lugar era alto ou baixo. Não importava mais o título do adorador ou a sua etnia. As regras de adoração agora são outras.
Quem são eles e onde estão? Estarão eles nas grandes igrejas e nos púlpitos famosos? Quantos CDs tem eles gravado? Que títulos possuem? São eles americanos, brasileiros ou australianos? Serão eles bilingues?
A segunda filtragem fala da forma de se adorar. Precisa ser em espírito e em verdade. A idéia é bem simples - esta adoração não está ligada a fatores externos (objeto de adoração ou circunstâncias) e deve partir de alguém com uma profunda experiência com o Deus verdadeiro ("...nós adoramos o que conhecemos" 4:22). Concluimos que o verdadeiro adorador não precisa de uma imagem para se curvar diante dela, nem mesmo estar dentro de um templo. O verdadeiro adorador também não precisa de uma motivação circunstancial para adorar. Isto é, adorar por ter sido abençoado, por motivo de gratidão, etc. Adorar em verdade exige de mim que eu ame e conviva com Deus. Que ele seja tão real e verdadeiro para mim como minha imagem no espelho. Ele está em mim e eu estou nele. Na adoração verdadeira não há lugar para dúvidas.
Enfrentando uma enfermidade em nossa família por quase 10 anos, algumas vezes, quando busquei ao Senhor para adorá-lo eu fraquejei. Olhei para as circunstâncias e minha fé ficou abalada. Duvidei. Acabei misturando minha adoração com minhas lamúrias e perdi a oportunidade de experimentar o melhor que o Senhor tinha para mim. Questionei a mim mesmo: como é ser um verdadeiro adorador? Sou eu um deles?
Se em alguns momentos de minha vida tive dificuldade de adorar como deveria, não tenho como me desculpar. O Senhor, ao longo de minha estrada, me fez conhecer alguns verdadeiros adoradores, mostrando-me de que é possível adorar, independente das situações. Tive o privilégio de, mesmo por pouco tempo, conhecer Bené Gomes, Asaph Borba, Adhemar de Campos e Jorge Ortega, que considero serem estes o pais do movimento de louvor e adoração no Brasil. Descobri que eles são verdadeiros adoradores dentro e fóra do palco, sem buscar lucros e sem se queixar das perdas, com platéia ou sem platéia. O coração destes homens só tem um destino: o Trono do Altíssimo.
Há também um outro momento que marcou muito minha vida e determinou meu conceito de ser adorador. Na minha época de seminarista, tanto no Rio de Janeiro (STBSB) como em São Paulo (FTBSP) tive a oportunidade de visitar alguns hospitais com frequência. Visitar doentes era o tipo de ministério que me fazia bem. Esse era meu hobby e meu
passa-tempo. Num dos hospitais onde eu tinha mais liberdade para ministrar, meu pai, Mario Romeiro, era o diretor de enfermagem. A maior parte dos pacientes eram homens e cadeirantes (na linguagem atual). No período em que eles iam para fóra das enfermarias para tomar um pouco de sol, lá estava eu com meu violão, cantando alguns cânticos, orando com eles e por eles.
Algumas das histórias que ouvi daqueles homens me chamaram muito a atenção. Encontrei pelo menos dois deles cujos filhos eram evangélicos, ou pelo menos, membros de igrejas evangélicas, mas que nunca os visitavam (um deles já fazia cinco anos sem aparecer para visitar o pai). Ficava pensando em como Deus recebia os cânticos destas pessoas, quando entoavam "Alelúia! Toda a Glória te rendemos sem fim...". Alguém me disse que certos louvores só chegam ao primeiro céu: o céu da boca...
Lembro-me de que um dia meu pai me disse: "Marco, hoje vou te levar para uma enfermaria que normalmente não se permite a entrada a pessoas de fora". Era uma área onde todos os pacientes estavam em fase terminal. A maior parte deles com câncer em estado avançado.
Meu pai me acompanhou nas visitas. Encontrei um homem que tinha vindo do Estado do Mato Grosso para se tratar em São Paulo. Mas, o câncer já havia tomado todo o seu organismo. Uma de suas pernas tinha o tamanho de duas. Seus dias sobre a terra estavam contados. Ele mesmo me confirmou isso e me afirmou de forma segura que "...não via a hora de se encontrar com Jesus." Deus sabe o quanto eu precisava ouvir aquela frase. Em lances rápidos da minha mente, repensei os meus 23 anos de vida.
"Você precisa conhecer uma pessoa muito especial", meu pai me disse. Entramos em outro quarto para conhecer uma jovem. O quarto parecia cheio de luz. Ela tinha 24 anos de idade. Olhei para ela, deitada naquele leito. Ela só movia a cabeça. Era paralítica do pescoço para baixo. Seu rosto era lindo. Parecia um anjo. Ela sorriu prá mim e pediu para que eu lesse alguma pasagem de sua Bíblia, que estava sobre o criado-mudo ao lado da cama. "Que parte você quer que eu leia?" - perguntei. "Qualquer uma. A Bíblia toda é linda!" - me respondeu.
Enquanto lia o texto da Bíblia, meu coração ardia. Jesus estava alí de uma forma surpreendente e Ele estava sendo adorado o tempo todo. Saí daquele hospital naquela tarde com a impressão de ter tido um encontro com Deus. Nunca vou me esquecer daquela jovem.
Eu creio que naquele dia, pelo menos para mim, Deus estabeleceu um novo patamar, um novo padrão do significado de ser um verdadeiro adorador. É possível adorar sem ter nada a receber, a não ser a graça. É possível adorar sem voz, sem movimentos, sem estilo e sem sonhos humanos.
Por isso, quando minha adoração parece interrompida por memórias ruins e pensamentos negativos, procuro me lembrar de que existe sobre esta terra um tipo de gente que se entrega à adoração em circunstâncias das mais difíceis. Então, tomo fôlego novamente e mergulho bem fundo na minha comunhão e adoração com o meu Senhor, na ansiedade de ser encontrado por Ele como verdadeiro adorador.
Marco Romeiro
O amado apóstolo Marco Romeiro está à frente da Lifesign International Ministry.
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