Conhecendo o centro da vontade de Deus para mim

Esta é uma mensagem que certamente irá ajudar muitos irmãos a encontrar o centro da vontade de Deus para suas vidas. Antes de ler o estudo, medite nesta passagem da Palavra de Deus em Lucas 10.38-42:

"Ora, quando iam de caminho, entrou Jesus numa aldeia;
e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa.
Tinha esta uma irmã chamada Maria,
a qual, sentando-se aos pés do Senhor, ouvia a sua palavra.
Marta, porém, andava preocupada com muito serviço; e aproximando-se, disse:
Senhor, não se te dá que minha irmã me tenha deixado a servir sozinha?
Dize-lhe, pois, que me ajude.
Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, estás ansiosa e perturbada com muitas coisas;
entretanto poucas são necessárias, ou mesmo uma só;
e Maria escolheu a boa parte
, a qual não lhe será tirada.

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CONHECENDO O CENTRO DA
VONTADE DE DEUS PARA MIM
 
 
Qual é a vontade de Deus para mim? Onde está o centro da Sua Vontade? Esta é uma resposta difícil que todo cristão quer saber. Se você é um cristão verdadeiro, então você quer encontrar aquele lugar onde terá a absoluta certeza que está no centro da vontade de Deus. Mas como ter certeza? Como saber? Tem como saber sim, percorrendo o caminho descrito pela Palavra onde então poderemos encontrar este lugar para cada um de nós.
 
Está escrito assim em Romanos 12.1-2:
 
Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.
E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
 
O Ap. Paulo inicia o assunto com a palavra rogo, que quer significa clamor, súplica. Isso nos faz perceber que algo está sob sério risco, parece que algo crucial aqui pode dar muito errado, e que por isso temos que tomar muito cuidado. Rogo é algo urgente! Ou seja, o que Paulo quer nos dizer é que isso é de máxima importância aos cristãos, pois é o caminho para encontrar o centro da vontade de Deus para as suas vidas. É uma questão de vida.
 
 
Limpando o terreno da nossa mente
 
Caminhar rumo ao centro da vontade de Deus obviamente não é um processo fácil. Acima de tudo devemos estar dispostos e renunciar alguns privilégios que conquistamos ao longo da nossa vida natural, e renunciar sempre custa caro, cada vez mais caro.
 
Quando nos entregamos a Jesus, a mensagem que dele recebemos é esta:
 
Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração;
e achareis descanso para a vossa alma.
Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.”
(Mt 11.28-30)
 
E isso é verdade! Realmente Jesus amou o mundo de tal maneira que entregou-se para nos livrar da escravidão e da morte e trazer-nos vida em abundância (Jo 10.10). Como é bom pertencer ao rebanho do Bom Pastor! (leia o Salmo 23 e coloque-se no lugar daquela ovelha tão amada). Mas decidir tornar-se discípulo de Cristo e seguir os seus passos é uma jornada que realmente põe por terra todas as arestas da alma e subjuga todos os prazeres momentâneos dessa vida passageira, porém nos dá o direito de conquistar uma herança infinita na presença de Deus, além de tornar-se absolutamente contente por estar caminhando na vontade Dele, como um membro divinamente inserido em seus infinitos planos celestiais. Mas vamos então seguir os passos de Jesus:
 
Então, aproximando-se dele um escriba, disse-lhe:
Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores.
Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu ninhos;
mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.”
(Mt 8.19-20)
 
Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue,
dia a dia tome a sua cruz e siga-me.
Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á;
quem perder a sua vida por minha causa, esse a salvará.”
(Lc 9.23-24)
 
Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim;
quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim;
e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim.”
(Mt 10.37-38)
 
Além disso, ainda podemos facilmente entrar em enganos e achar que podemos fazer a obra de Deus simplesmente porque Ele nos deu seus dons, talentos e virtudes. Os dons são sim dados a nós pelo Espírito Santo (Rm 12.4-8; 1Co 12.4-11; Ef 4.11-16) para usarmos na obra e isso é muito bom, mas eles são apenas acessórios que, por si só em sua realização, não expressam a completa vontade de Deus para nós. Vejamos o que o Senhor Jesus disse em Mateus 7.21-23:
 
Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus,
mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
Muitos naquele dia hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não temos expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres?
Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci.
Apartai-vos de mim, os que praticam a iniquidade?”
 
Seria iniquidade profetizarmos ou realizarmos muitos milagres? No ponto de vista do Senhor Jesus, é iniquidade sim realizar os milagres Dele sem conhecê-lo, sem buscar Nele o centro da vontade de Deus. Vejam que Jesus não está se importando muito com as manifestações de dons em si, mas ele está dizendo que só entrarão no céu aqueles que fazem a vontade do Pai. Até pode ser que, de repente, alguns de nós profetizem ou realizem milagres ou realizem muitos outros dons – isso é fundamental para o desenvolvimento da Igreja, mas que os dons sejam apenas acessórios para o plano celestial infinito traçado nos céus para cada um de seus filhos e para a sua Igreja.
 
E o mais importante de tudo isso é que em todas as nossas ações, em todos os nossos feitos, em todos os nossos pensamentos e palavras – simplesmente em tudo – nós só estaremos agradando ao Pai se Ele, ao ver-nos servindo na sua obra, estejamos refletindo o brilho do Seu Filho amado em nós. Assim como a prata e o ouro que o ourives purifica pelo fogo e só está pura quando reflete o brilho do seu rosto, de tudo o que realizarmos nesta Terra, só valerá através de nós aquilo que reflete o brilho do Filho de Deus.
 
Antes de continuarmos essa mensagem, preciso dizer que agora é a hora de refletir, orar e analisar se temos plena convicção de nosso chamado para segui-lo, porque certamente você será provado, tudo ao redor será abalado, até mesmo as suas convicções em seguir a Cristo. Mas se você decidiu viver para Ele, então siga adiante rumo à vontade de Deus para você!
 
 
PRIMEIRO PASSO: ENTREGAR-SE À MORTE
APRESENTEIS O VOSSO CORPO POR SACRIFÍCIO VIVO, SANTO E AGRADÁVEL A DEUS
 
 
O que é sacrifício? É o ato de entregar à morte uma oferta viva ao Senhor, por gratidão ou culpa. Mas, de toda forma, alguém tem que morrer num sacrifício. Jesus teve que morrer. Foi a entrega dele como um cordeiro na Cruz que hoje nos traz salvação e vida. E o sacrifício de Cristo teve essas três características: foi vivo, santo e agradável.
 
Vivo porque Ele sujeitou a Sua vontade à vontade do Pai. Isso significa que nossas vontades, nossas expressões, nosso caráter, tudo precisa passar pela vontade do Pai. Sacrifício vivo é simplesmente decidir morrer, morrer para si e morrer para o mundo, e viver para Deus.
 
Santo porque Ele entregou-se como um cordeiro puro, sem pecado, para ser sacrificado pelo pecado de muitos. Isso significa que essa entrega é gerada por uma motivação genuína, é efetuada por meios genuínos e é designada para um propósito genuíno. Não nasceu de uma iniciativa da alma, mas do Espírito. Nem foi feita por meios humanos, mas foi através da Cruz de Cristo. E o resultado desse sacrifício é viver a vida de Deus, os sonhos e projetos Dele, e não a vida do homem.
 
E agradável porque Ele escolheu obedecer a Deus voluntariamente. Não é resultado de viver de modo ascético, como se eu não pudesse mais ter nenhuma vontade, mas a minha vontade é obedecer a Deus, eu quero obedecer a Deus e viver para Deus. Eu quero agradar a Deus.
 
 
O tabernáculo e a Igreja
 
Entendermos o que é o tabernáculo nos ajudará muito a compreender os segredos dessa jornada. O tabernáculo é uma representação figurada (ou profética) da Igreja, e o tabernáculo nos sugere o caminho para chegarmos a Cristo, não o Jesus Salvador, mas o Rei e Senhor Jesus. Vejam a figura:
  
 
O tabernáculo é formado pelo pátio (ou átrio exterior), o Santo Lugar (ou átrio interior), e o Lugar Santíssimo (ou Santo dos Santos). O pátio é o lugar onde as multidões chegavam para adorar a Deus. Aqui os sacerdotes recebiam as ofertas e sacrificavam no altar do holocausto, e depois se lavavam na bacia de bronze. Só depois de purificados podiam entrar no Santo Lugar. Dentro do Santo Lugar tem a mesa dos pães, o candelabro e o altar do incenso. Sobre a mesa dos pães ficavam sempre doze pães representando as Doze Tribos de Israel. O candelabro era a única fonte de luz dentro do Santo Lugar, ele tem sete lâmpadas que os sacerdotes as mantinham sempre acesas. O altar do incenso proporcionava um aroma suave e doce. Entre o santo Lugar e o Santo dos Santos há um véu, e por ali somente podia passar o sumo-sacerdote, uma vez por ano somente. No Santo dos Santos há somente a Arca do Testemunho ou Arca da Aliança, onde eram guardadas as tábuas com os Doze Mandamentos recebidos por Moisés.
 
Vamos traduzir a mensagem do Tabernáculo então. O pátio representa a multidão, o povo de Deus que vem para adorar. È onde encontramos todos os que de alguma forma querem Deus. O pátio é onde as pessoas querem sentir-se seguras, protegidas dentro dos muros do tabernáculo, ou da igreja. Mas o pátio é apenas o primeiro passo para uma jornada cujo objetivo é conhecer Jesus de verdade, ser íntimo dele. Para isso é preciso passar pelo altar do sacrifício, onde o cordeiro deve morrer. Para caminhar na direção de Cristo, tem que passar pela morte primeiro. As multidões ficam para trás, os amigos ficam para trás, tudo o que se relaciona à minha vontade fica para trás. Não existe conhecer a vontade de Deus sem antes morrer para si mesmo e para o mundo. Depois da morte para o mundo ali no altar, vem a bacia de bronze, que é onde nós devemos nos lavar, nos purificar dos pecados, abandonando-os definitivamente. Só depois disso é que podemos então entrar no Santo Lugar. Vamos lá.
 
O Santo Lugar simboliza uma vida guiada pela palavra de Deus (a mesa dos pães), pela revelação de Deus (o candelabro) e pela oração (o altar do incenso). Nesse ponto nós somente fazemos aquilo que Deus nos ordena e nos guia, conforme a vontade Dele. A pouca luz do candelabro simboliza a total dependência Nele e da Sua revelação para nos guiar; os pães simbolizam que a Palavra Dele é o nosso único alimento; e o altar do incenso simboliza que o caminho para a presença Dele é a oração. O altar do incenso está de frente ao véu, para onde podemos entrar no Santo dos Santos, que é definitivamente onde encontramos o Senhor Jesus intimamente, pessoalmente, face a face. É no Santo dos Santos que queremos chegar, e com Ele saberemos qual é a boa, perfeita e agradável vontade de Deus para mim.
 
 
SEGUNDO PASSO: REJEITAR A FORMA DO MUNDO
E NÃO VOS CONFORMEIS COM ESTE SÉCULO
 
 
Quando Jesus estava no Getsêmani, prestes a ser preso e crucificado, ele fez a seguinte oração: “Eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo... Pai justo, o mundo não te conheceu, e também estes compreenderam que tu me enviaste.” (Jo 17.16,25). Aqui, como em tantas outras ocasiões, Jesus afirmou a total separação que há entre o mundo e a vida de Deus. São absolutamente incompatíveis. É tolice pensar que seja possível conciliar a vida de Deus e a vida mundana, natural. É como tentar misturar água e óleo – é simplestente impossível. O mundo tenta, a todo custo, estabelecer uma forma de viver de modo independente de Deus, sem nenhuma relação com o Criador. Isso é assim desde a eternidade passada, com a rebelião de Lúcifer e mais a terça parte dos anjos que caíram (Ez 28.13-18, Jo 8.44, Ap 12.4). Existe uma relação de completa inimizade entre o mundo e Deus, e isso jamais mudará. Em outra ocasião, Jesus declarou assim:
 
Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim.
Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu;
como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário,
dele vos escolhi, por isso o mundo vos odeia.”
(Jo 15.18-19)
 
O Senhor Jesus não é desta terra. E quando nos tornamos filhos de Deus, e não mais filhos deste mundo, nossa pátria é transferida para o Céu. Não somos mais daqui, somos de lá agora. Como filhos de Deus passamos agora a ser traidores do sistema mundano, não aceitando mais viver no curso do mundo, mas agora sendo guiados por Deus. Como disse o Ap. Paulo: “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20).
 
 
O amor ao mundo
 
Porém, o brilho do mundo seduz o ser humano, que, por ter uma natureza caída, rende-se às paixões carnais oferecidas pela sedução, afastando-se em sentido contrário ao Salvador. O Ap. João estabelece um prumo a esse respeito:
 
Não ameis o mundo nem as coisas deste mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo.” (1Jo 2.15-16)
 
Veja que afirmação séria João faz aqui: Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele. Ou seja: alguém pode até pensar que ama a Deus, pode até falar que ama a Deus, mas se amar o mundo também, ou seja, se deixar conduzir pelas paixões da carne, pela sedução dos olhos e pela vaidade desta vida, o amor do Pai não está nele. Essa condição é irrevogável e inegociável. Não tem jeito.
 
O Ap. Tiago vai além e declara: “Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” (Tg 4.5). Neste mesmo capítulo, nos versos 1 a 3, o apóstolo usa os termos “guerras”, “contendas”, “prazeres”, “cobiças”, “matais e invejais”... Isso fala da guerra que há entre a sedução do mundo e a vontade de Deus na alma do ser humano. É uma verdadeira batalha! Ou você está de um lado ou de outro nesta guerra. O Ap. Paulo define bem essa separação entre os “dois lados”:
 
Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne;
mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito.
Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz.
Por isso o pendor da carne é inimizade contra Deus,
pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar.
Portanto os que estão na carne não podem agradar a Deus.” (Rm 8.5-8)
 
Pendor significa inclinação, rendição, deixar-se levar por algo. Ou seja, a inclinação para a vontade da carne leva à morte. Mas a inclinação para o Espírito leva à vida e paz!
 
 
TERCEIRO PASSO: BUSCANDO A FORMA DE CRISTO
E TRANSFORMAI-VOS PELA RENOVAÇÃO DA VOSSA MENTE
 
 
Seria possível pensar com a mente de Cristo, ou sentir conforme o Seu coração? Seria possível guiar as vontades e desejos da alma de modo puro e santo, de modo que nossa jornada seja conduzida unicamente pela boa, agradável e perfeita vontade de Deus? Sim, é possível. A Bíblia diz: “Mas nós temos a mente de Cristo” (1Co 2.16), e também: “Ora, este é o pacto que farei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor; porei as minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (Hb 8.10). Porém, para isso acontecer, nós precisamos alcançar algumas etapas em nossa jornada, o que veremos a seguir:
 
 
O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito”
 
Quando Nicodemos, um mestre religioso em Israel, foi visitar Jesus em Jo 3, o Senhor foi direto ao assunto: “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus” (Jo 3.3), e mais adiante ele questionou Nicodemos: “Tu és mestre em Israel e não compreendes estas coisas?” (Jo 3.10). Ou seja, para compreender os mistérios de Deus, pensar com a mente de Cristo e caminhar na vontade de Deus, o primeiro passo é nascer de novo, ou seja, abrir mão de velhos costumes, hábitos, pensamentos, ideologias, e viver uma nova vida em Cristo, como uma criança (Mt 19.14: “Deixai as crianças e não as impeçais de virem a mim, porque de tais é o reino dos céus”; Mt 21.16: “Da boca de pequeninos e crianças de peito tiraste perfeito louvor”). Ou seja, o primeiro passo é ser como criança: “Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mt 18.3).
 
 
Implantando a Palavra de Deus em nossos corações
 
Agora, não basta apenas “ser como criança”, mas é necessário também abrir nossas mentes e corações para receber uma nova instrução, a Palavra de Deus, que é a única verdade. Jesus disse assim em Mt 24.35: “Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão”. Vejam o que Paulo disse em Fp 3.7-8:
 
Mas o que para mim era lucro passei a considerá-lo como perda por amor de Cristo.”
Sim, na verdade, tenho também como perda todas as coisas pela excelência
do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor;
pelo qual sofri a perda de todas estas coisas,
e as considero como refugo, para que possa ganhar a Cristo.”
 
Vamos analisar os detalhes da afirmação do Ap. Paulo: o que para ele era lucro, ou seja, algo valioso, precioso, vantajoso, ele considerou como perda por amor de Cristo. Quando Cristo entra em nossas vidas, aquilo que antes tinha valor passa a não valer mais. Paulo afirmou também que considera todas as coisas como perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus. Ou seja, conhecer os mistérios de Cristo passou a ter muito maior valor para Paulo do que todas as outras coisas. Ele deu valor ao que realmente tem valor, e desprezou aquilo que não merecia valor. Além disso, ele afirma que sofreu a perda de todas essas coisas, o que deve ter sido custoso ou difícil para ele. Mas mesmo assim considerou tudo isso como “refugo”, ou seja, algo desprezível e descartável, para que pudesse ganhar a Cristo, o que é muito mais precioso.
 
Aprendemos com isso que, para Paulo, o mundo perdeu todo o brilho diante da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus. Ter a mente e o coração de Cristo vale mais que tudo neste mundo. Vejamos também o que o Ap. Tiago disse a esse respeito:
 
Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.” (Tg 1.17)
Pelo que, despojando-vos de toda sorte de imundícia e de todo vestígio do mal, recebei com mansidão a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar as vossas almas.” (Tg 1.21)
 
Ou seja, tudo o que é bom só pode vir do Alto, e é de lá que devemos buscar. Somente em Deus há virtude, somente em Deus há amor, e somente em Deus há paz e salvação para as nossas almas. Não se encontra essas coisas em nenhuma outra pessoa ou lugar, mas somente em Deus. Paulo outra vez recomendou isso: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso praticai; e o Deus de paz será convosco.” Ou seja, é somente Deus quem pode implantar em nossas mentes e corações tudo o que é bom. Como citou o salmista: “Escondi a tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti.” (Sl 119.11). Essa é a segunda condição para ter a mente e o coração de Cristo: receber a Palavra de Deus como um tesouro escondido, uma fonte de vida, a luz que ilumina o nosso caminho para a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
 
 
QUARTO PASSO: ENTRANDO NO SANTO DOS SANTOS
PARA QUE EXPERIMENTEIS QUAL SEJA A BOA, AGRADÁVEL E PERFEITA VONTADE DE DEUS
 
 
Tudo bem! Eu decidi morrer para mim mesmo e para o mundo, e decidi também viver somente pela palavra, pela oração e pela revelação de Deus para mim... Ok! E o que mais falta? Ótimo! Agora estamos no ponto mais difícil, porém mais glorioso para a vida de um cristão verdadeiro, que é habitar na presença de Deus, ali no Santo dos Santos. Saiba de uma coisa: infelizmente são muito poucos cristãos, irmãos na fé, que chegam até este ponto, os que decidem ter uma comunhão íntima com o Senhor de suas vidas. Habitar no Santo dos Santos é um privilégio que todos podem alcançar, mas poucos conseguem de fato.
 
A história de cada um de nós está previamente escrita em um livro nos céus. Se existe destino, não sei, mas a predestinação é uma verdade descrita na palavra de Deus, e isso não significa que algo predestinado irá acontecer inevitavelmente – Não é isso. Predestinação significa que a minha vida é um projeto de Deus e que algo está projetado para mim, mas que eu preciso descobrir os detalhes desse projeto e viver conforme o que está determinado lá, predestinado pelo Pai. Vejamos o Salmo 139.16:
 
Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.”
 
Vejam só! Quando eu ainda era um embrião no ventre materno, Deus já havia escrito em seu livro todos os meus dias! Ou seja, a perfeita vontade de Deus já está marcada para mim, e eu só preciso saber o que está escrito lá para viver no centro da vontade de Deus aqui! Vejamos também o texto de Efésios 1:
 
Assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito da sua vontade” (v. 4 e 5)
desvendando-nos o mistério da sua vontade,
segundo o beneplácito que propusera em Cristo”
(v. 9)
nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade” (v. 11)
 
Ou seja, somente em Cristo podemos receber a revelação do centro da vontade de Deus para nós, essa vontade que está escrita e determinada nos céus, citada por Davi e confirmada pelo Ap. Paulo.
 
 
O Santo dos Santos é uma Pessoa
 
Quando Cristo ensinou os seus discípulos sobre a videira em João 15, ali Ele deixou segredos importantes para revelar àqueles que querem conhecê-lo de verdade. Vejamos o texto de João 15.5:
 
Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele,
esse dá muito fruto;
porque sem mim nada podereis fazer.”
 
A respeito desse ensino, aqui neste versículo podemos aprender alguns segredos: “Quem permanece em mim, e eu nele...”: Não basta Cristo estar em mim, primeiramente eu tenho que permanecer Nele e Ele permanecer em mim! Isso aponta para comunhão, relacionamento, intimidade... Isso aponta também que primeiro eu devo buscar e permanecer Nele. Permanecer é conquistar o direito de ficar. É não sair de lá de jeito nenhum! O verso 6 diz assim: “Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora...”: não permanecer é não conquistar o direito de ficar... será lançado fora daonde? Dele mesmo! Não permanecerá em Cristo. Vejamos também o verso 7: “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós...” Essa é uma outra condição ainda mais rigorosa para nós, porque agora não basta permanecermos Nele, mas as palavras Dele devem permanecer em nós. Isso significa que agora é necessário também que as palavras Dele conquistem o direito de ficar em nosso coração. Será que as palavras Dele conquistaram a primazia e o direito de habitar dentro de nós? Será que nós já demos às palavras Dele esse privilégio, essa prioridade tão grande? Ai ai ai! Não é tão simples assim irmãos! Decidir permanecer em Cristo é uma decisão seríssima! Não é algo que se decide “no embalo”. Permanecer Nele é decidir morar Nele, viver Nele, habitar Nele, fazer tudo Nele. E é também Ele e a Sua Palavra morar em mim, viver em mim, habitar em mim e fazer tudo em mim. Veja bem se você está realmente disposto a isso: “Tenho muito ainda que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora” (Jo 16.12).
 
 
O Santo dos Santos é um lugar de habitação
 
Irmãos, vimos que o Santo dos Santos é uma Pessoa – a Pessoa de Cristo, e que devemos “permanecer” Nele. Mas o Santo dos Santos é também um lugar de habitação, e lugar de habitação não é um lugar que passamos lá de vez em quando, damos uma “espiada ligeira” e vamos embora. Lugar de habitação é como “armar uma tenda e ficar”. É morar lá! Isso me lembra Josué e os hebreus à conquista de Canaã: tem que ir lá e lutar para conquistar esse lugar. Tomar posse dele! Além do Santo dos Santos ser a Pessoa de Jesus, é também um lugar de relacionamento com Ele, é uma tenda pessoal, um altar. É um lugar que só você tem a chave, só você pode entrar, e ali Ele te chama pelo nome. É um lugar muito íntimo e pessoal, só você e Ele mesmo. Os salmos nos revelam muito sobre esse lugar. Vejamos alguns trechos:
 
Quem, Senhor, habitará no teu tabernáculo?
Quem há de morar no teu santo monte?”
(Salmo 15.1)
 
Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida;
e habitarei na Casa do Senhor para todo o sempre.” (Salmo 23.6)
 
Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei:
que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida,
para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo.” (Salmo 27.4)
 
O pardal encontrou casa, e a andorinha, ninho para si, onde acolha os seus filhotes;
e eu, os teus altares, Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu!
Bem aventurados os que habitam em tua casa; louvam-te perpetuamente.” (Salmo 84.3-4)
 
O que habita no esconderijo do Altíssimo e descansa à sombra do Onipotente
diz ao Senhor: Meu refúgio e meu baluarte, Deus meu, em quem confio.” (Salmo 91.1-2)
 
Pois disseste: o Senhor é o meu refúgio.
Fizeste do Altíssimo a tua morada.”
(Salmo 91.9)
 
Este é para sempre o lugar do meu repouso; aqui habitarei, pois o preferi.” (Salmo 132.14)
 
Ah irmãos! Os salmistas conheciam esse lugar! Principalmente Davi, enquanto morou em cavernas fugindo do seu opositor, como ele conheceu esse lugar maravilhoso! Ele sabia que só havia um lugar onde encontrar-se com o Amado da sua alma, onde buscar refrigério e descanso. Somente lá ele poderia entoar-Lhe os lindos salmos que brotavam de seu coração. Os salmistas chegaram lá. Davi e tantos outros heróis da Bíblia chegaram lá também. Nós também temos que trilhar o mesmo caminho para chegar nesse lugar, deixando tudo para trás, em busca daquele que é essa pessoa e esse lugar: o Santo dos Santos – o próprio Senhor Jesus!
 
 
Viver no Santo dos Santos é viver pela fé
 
Voltando à figura do Tabernáculo, lembrem que ali no Santo dos Santos não há candelabro, e há ainda o véu que o separa do Santo Lugar, onde ainda há a luz do candelabro. No Santo dos Santos é escuro, não há luz. A arca está ali, mas você não vê. Isso significa que estar no Santo dos Santos é um ato de fé, é caminhar aonde você não vê. Vejamos o exemplo de Abraão:
 
Ora, disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção!” (Gn 12.1-2)
Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia.” (Hb 11.8)
 
Você já pensou nisso, ir para um lugar sem saber aonde é? É para o norte, para o sul, para onde é? Ficou difícil? Lembra do Santo Lugar, onde temos a mesa dos pães? Sabemos que pão é alimento e que Jesus é o pão da vida (Jo 6.35). É como Jesus afirmou em João 6.57: “...quem de mim se alimenta por mim viverá.” Lembra do Salmo 119.105? “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra; e luz para o meu caminho.” É como Jesus também afirmou em João 8.12: “...Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas (na escuridão); pelo contrário, terá a luz da vida (dentro de si).”. Nunca se esqueça disso: é a Palavra de Deus que ilumina o caminho e nos mostra a direção. É ela que nos permite permanecer no Santo dos Santos. Viver pela fé é não ter mais nada, é ter somente a Palavra Dele e nada mais. Bastou uma só palavra para Abraão, e ele foi. No Santo dos Santos eu não preciso de mais nada além da Sua Palavra em mim. Se de fato o conhecemos, então basta-nos a sua Palavra, nada mais.
 
Outro exemplo importante em caminhar mediante a Palavra de Deus está em Mateus 14.28-29:
 
Respondendo-lhe Pedro, disse: Se és tu, Senhor, manda-me ir ter contigo, por sobre as águas. E ele disse: Vem! E Pedro, descendo do barco, andou por sobre as águas e foi ter com Jesus.”
 
Você conhece essa história. Você sabe que os discípulos estavam no barco, em meio a uma tempestade, e de repente aparece Jesus caminhando sobre as águas na direção deles e Pedro, cheio de coragem e fé, decide ir até Ele também caminhando sobre as águas. Nós sabemos que isso é naturalmente impossível. Ali ocorreu a fé como matéria-prima para o milagre, mas mesmo assim algo ruim aconteceu:
 
Reparando, porém, na força do vento, teve medo;
e, começando a submergir, gritou: Salva-me, Senhor!” (v. 30)
 
Nunca se engane! As nossas obras serão provadas sim. Cedo ou tarde, a prova virá e ela por si só mostrará se a nossa fé está edificada sobre a rocha (Mt 7.24-27) e sobre o firme fundamento que é Cristo (1Co 3.11-13). E depois de provada toda a obra, então virá a recompensa, como está escrito em Tiago 1.12:
 
Bem aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.”
 
 
MENSAGEM AOS VENCEDORES
 
 
Amados irmãos, lembram do Getsêmani, ali quando Jesus orou sobre o sacrifício que deveria tomar sobre si, suando gotas de sangue? (Lc 22.44) Decidir seguir os passos de Jesus nessa jornada para o centro da vontade de Deus significa aceitar o Getsêmani, é decidir ser pressionado, suar sangue, ser julgado e condenado inocentemente, e até mesmo tomar a sua cruz e morrer nela, para a salvação de muitos. Duras são estas palavras, mas o verdadeiro amigo é aquele que dá a vida em favor dos seus amigos (Jo 15.13). Dar a vida não seria abrir mão dela para que outro viva? Não foi exatamente isso que nosso Salvador nos ensinou a fazer? É como diz a letra de uma bela canção: Para que outros possam viver, vale a pena chorar.
 
Saiba que muitos opositores se levantarão, muitos caçoarão das tuas atitudes agora guiadas por Deus. Mas eu preciso te dizer uma coisa que aprendi com um célebre escritor: “Nossa reputação nada mais é do que um trapo lançado ao ar pela boca de cães insaciáveis.” Cristo foi chamado Belzebu, Paulo foi duramente caluniado, e assim também todos os que decidem viver no centro da vontade de Deus terão sua reputação sendo lançada ao ar, em pedaços, pela boca desses cães. Mas saiba que isso é muito bom, porque assim o Senhor nos mantém quebrantados, humilhados em seus pés, e amparados pelos seus lindos braços de amor! Não há lugar melhor!
 
Meu desejo é que essas palavras tenham ajudado você a definir o caminho para essa jornada de uma vida inteira, que determinará seu ingresso na Eternidade com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Amém!
 
 
E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho
para retribuir a cada um segundo as suas obras.
Eu sou o Alfa e o Õmega, o Primeiro e o Último, o Príncípio e o Fim.
Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro,
para que lhes assista o direito à árvore da vida, e entrem na cidade pelas portas.”
(Apocalipse 22.2-14)
 
 

O autor reservou-se o direito de manter seu nome no anonimato, a exemplo das citações bíblicas em Lc 9.49-50 e Nm 11.27-29.
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