por Frank Viola.
Este artigo é a transcrição de uma mensagem que o irmão Frank entregou a uma igreja em casa na cidade de St. Agustine, Flórida, EUA no dia 22 de Abril de 2007. Esta mensagem é adequada para todas as igrejas em casa, igrejas simples, igrejas orgânicas, e igrejas emergentes que estão reconsiderando o significado e prática da igreja. Nós a convertemos neste artigo para que fosse ampla e gratuitamente distribuída.
Para fazer o download do artigo completo, clique aqui.
Leia também: Parte 2 .

BETÂNIA
O DESEJO DO SENHOR PARA A SUA IGREJA
por Frank Viola
Parte 1
INTRODUÇÃO
Quando o Senhor Jesus Cristo veio a este mundo, não foi recebido. Você se lembra do Seu nascimento? A cidade inteira de Belém fechou as suas portas para Ele. Por isso Ele nasceu em um estábulo entre a sujeira e o fedor do esterco de vaca. Quando tinha dois anos, foi caçado pelo governo (não existiram meninos em sua classe de jardim de infância). Então, quando começou Seu ministério, foi rejeitado pelo Seu próprio povo – os Judeus. “Ele veio para os Seus, e os Seus não O receberam” (Jo 1:11). Os líderes religiosos que dominavam Jerusalém também o rejeitaram. Lembra-se de como Ele chorou sobre a cidade porque eles rejeitaram o seu Messias? (Lc 13:34). Quando Ele tentou entrar em Samaria, foi rejeitado por aquela cidade também. “Mas não o receberam porque Seu aspecto era de quem ia a Jerusalém” (Lc 9:53). Ele também foi rejeitado pela Sua própria cidade natal, Nazaré. Lembra-se de Suas palavras: ”Não há profeta sem honra senão na sua própria pátria”? (Mc 6:4). De fato, o Próprio Senhor disse que não tinha casa neste mundo. “As raposas têm covis, e os pássaros têm ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a Sua cabeça” (Lc 9:58). Você vê a ironia? Aí está o Criador do universo. Aí está Aquele que não apenas fez todas as coisas, mas Aquele para quem todas as coisas foram feitas. E é rejeitado pelo próprio mundo que criou. Ele não é nem saudado nem recebido. Houve apenas uma exceção. Em toda a Sua vida humana, houve apenas um lugar na terra onde Jesus Cristo foi bem-vindo. Houve apenas um lugar onde Ele foi recebido. Foi numa pequena aldeia chamada Betânia. E ela desempenhou um papel proeminente na vida do Senhor. Esta tarde, gostaria de traçar as pegadas do Senhor quando Ele viajou para a aldeia de Betânia. A razão de eu assim fazer é simples. Acredito que Betânia representa o desejo do Senhor para a Sua igreja. Deus quer uma Betânia em cada cidade deste planeta. Isto inclui a cidade de St. Agustine, Flórida. Os Evangelhos nos dão quatro narrativas que têm lugar em Betânia. Antes de vermos cada uma, quero dar a vocês o contexto histórico daquela pequena aldeia.
Betânia estava há pouco menos de três quilômetros a leste de Jerusalém. Estava localizada nas encostas ao sudeste do Monte das Oliveiras. O jardim do Getsêmani também estava localizado no Monte das Oliveiras. Getsêmani significa “a prensa de azeitonas”. Era o lugar onde as azeitonas eram esmagadas. Nos seis dias precedendo à Sua crucificação, Jesus ia à cidade de Jerusalém de dia, mas sempre se retirava para Betânia para passar a noite. Repetindo: Os seis últimos dias de vida terrena do Senhor, Ele se retirou para Betânia e se alojou ali. Em Betânia, Ele encontrou o refúgio, o descanso, a segurança e a paz. Betânia significa “casa de figos”. Isto é significativo como veremos depois. Houve três pessoas que viveram em Betânia as quais a Escritura diz que Jesus carinhosamente amou: Marta, Maria, e Lázaro. Parece que Marta era a irmã mais velha. Maria era a irmã mais jovem. E Lázaro era o irmão mais jovem. Houve também uma quarta pessoa que viveu em Betânia – a quem o Novo Testamento chama “Simão o leproso”. Alguns eruditos acreditam que Simão era um parente de Marta, Maria, e Lázaro. Possivelmente o pai ou tio deles. Marta possuía uma casa em Betânia. Maria era bem conhecida em todas as partes da cidade. João chama Betânia de: “a cidade de Maria e sua irmã Marta”. A família parece ter sido próspera financeiramente (o tamanho da casa de Marta e o tipo do sepulcro que foi usado para Lázaro são os indicadores da posição financeira deles). Betânia parece ser o único lugar na terra onde o Senhor Jesus foi entendido e reconhecido. Vamos agora ver o primeiro encontro do Senhor com Betânia como é registrado na Escritura.
O PRIMEIRO ENCONTRO
Outubro do ano 29 D.C.
“Ora, quando iam de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa. Tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, sentando-se aos pés do Senhor, ouvia a sua palavra. Marta, porém, andava preocupada com muito serviço; e aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá que minha irmã me tenha deixado a servir sozinha? Dize-lhe, pois, que me ajude. Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, estás ansiosa e perturbada com muitas coisas; entretanto poucas são necessárias, ou mesmo uma só; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada” (Lc 10:38-42)
Penso que é justo dizer que a maior parte dos sermões que foram pregados sobre este texto colocou Marta em uma situação bastante embaraçosa. Muitos pregadores se ocuparam com o “golpe esmagador de Marta”. Bem, eu gostaria de dizer uma palavra gentil sobre Marta esta tarde. Quero chamar sua atenção para o verso 38 – ”Marta deu as boas-vindas a Ele em sua casa”. Outras traduções dizem: “Marta O recebeu em sua casa”.
Recebendo a Jesus Cristo
Betânia foi o único lugar nesta terra onde Jesus Cristo foi completa e alegremente recebido. Este foi o único lugar da terra onde Ele se sentiu em casa. Esta é a característica notável de Betânia. E é a primeira marca da igreja que Deus está procurando. Jesus Cristo foi rejeitado no mundo. Mas foi recebido em Betânia. Agora, o que significa receber o Senhor Jesus? Penso que todas as igrejas neste planeta reivindicariam que recebem o Senhor. Mas gostaria de estender nossa compreensão do que significa recebê-Lo apropriadamente. Como uma igreja dá ao Senhor o Seu lugar correto e legítimo? Esta é uma questão crítica, já que sobre ela repousa toda a questão da restauração de igreja. Acredito que a igreja nunca será restaurada até que entendamos primeiro como receber o Senhor apropriadamente.
Parece-me que há três aspectos-chave que implicam na recepção apropriada de Jesus Cristo:
1.Receber a Cristo apropriadamente é dar a Ele o lugar de honra, supremacia, e centralidade. Estive me encontrando em igrejas em casa durante quase 20 anos. Em meu julgamento pessoal, não há uma grande quantidade de igrejas em casa que fazem Cristo central e supremo. Alguma outra coisa além de Jesus habitualmente toma a cena central. Mas aqui está a coisa trágica. As igrejas que realmente fazem Cristo central, tendem a ser a parte elitista e sectária do movimento. E pela prática e atitude deles, traem o próprio Senhor em torno de quem estão se esforçando para reunir. Muitas vezes eu fazia esta afirmação: O sectarismo e o elitismo parecem-se com o odor de corpo. Todos os outros podem senti-lo exceto aqueles que o têm. Não cometa erro nisso: Jesus Cristo não está presente em uma igreja que é elitista ou sectária. Agora podemos acampar aqui mesmo e falar sobre o que significa fazer Cristo central e supremo pelo resto do dia. Mas não temos tempo. Direi simplesmente que Jesus Cristo não tomará o segundo lugar. Ele não está presente em nenhuma igreja que não lhe dá o lugar de supremacia e centralidade absoluta. Ele quer ser mais do que um hóspede. Ele quer ser o Mestre da casa. Parece-me que muitas igrejas tratam o Senhor como se Ele fosse o invisível hóspede de honra. Mas um hóspede ainda é um visitante. O nosso Senhor deseja ser mais do que um hóspede. Ele busca ser o Cabeça de Sua igreja. Só em tal lugar e entre tal povo pode sentir-se em casa.
2.Receber Cristo é receber tudo o que Ele é. Encontrei algumas igrejas em casa que recebem o ministério de pregação do Senhor, mas rejeitam Seu ministério de cura. Encontrei algumas igrejas que recebem o Seu ministério de bênção, mas rejeitam o Seu ministério de sofrimento. Isto é, dão as boas-vindas ao poder da Sua ressurreição, mas rejeitam a comunhão dos Seus sofrimentos. Encontrei algumas igrejas que recebem o Seu ministério de ensino, mas rejeitam o Seu ministério de ajuda aos pobres e oprimidos. Conheci alguns que queriam o Seu ministério de edificar o Corpo, mas rejeitavam o Seu ministério de alcançar o perdido. Receber a Cristo fragmentado desta forma é recebê-Lo em nossos próprios termos. Não é recebê-Lo como Ele é. Receber apropriadamente e dar as boas-vindas a Jesus Cristo é receber tudo o que Ele é. Ele é uma Pessoa inteira. Não podemos dizer que queremos uma parte de você, mas não outras partes. Betânia é o lugar onde Cristo – o Cristo inteiro – é bem-vindo e recebido.
3.Receber a Cristo é receber todos os que são uma parte Dele. Em várias ocasiões, Jesus fez esta afirmação interessante: “Os que recebem aqueles que envio recebe a Mim”.
Betânia é o lugar que recebe todos aqueles que Cristo envia. Ela também recebe todos que pertencem a Cristo. Qualquer igreja que dá as boas-vindas a alguns membros do Corpo, mas rejeita outros, não está recebendo a Cristo. E qualquer igreja que dá as boas-vindas a alguns que o Senhor enviou para a Sua obra, rejeitando outros, não está recebendo a Cristo. A exceção: não recebemos aqueles que trabalham contra a missão de Cristo que é a unidade. Aqueles que são sectários e que desejam “dividir e conquistar” em seu meio, não podemos receber. É o espírito da divisão, e é contrário a Cristo (Rm 16:17). Deixe-me pronunciar uma grande tentação das igrejas em casa hoje. É a tentação de ficarmos enclausurados, encravados e ilhados. Betânia recebe todos aqueles que Cristo recebeu. E dá as boas-vindas a eles. Fazer de outra maneira é dizer: “Senhor, ficaremos com a Sua mão e o Seu braço, mas não queremos o Seu pé ou a Sua perna”. Ser exclusivo é desmembrar Jesus Cristo. Claro e simples. De maneira interessante, até os Judeus descrentes se sentiam bem-vindos em Betânia (Jo 12:6). Betânia, assim como o Senhor Jesus, são radicalmente inclusivos. Quando Cristo é bem-vindo no meio de um povo, Ele dá as boas-vindas a todos que visitam aquele povo. Há um elemento de boas-vindas... um ingrediente convidativo... isso atrai a outros. É o aroma de boas-vindas de Jesus Cristo. Damos as boas-vindas a Ele, e Ele dá as boas-vindas a todos que são Seus. É a igreja. Lamentavelmente, fui a muitas igrejas em casa que não proporcionavam um convite ou uma atmosfera de boas-vindas aos seus visitantes. Em vez disso, respiravam um ar de exclusivismo e estreiteza. Tais coisas traem o espírito de Betânia, e expõem o fato de que o Senhor não foi totalmente recebido. Em resumo, o Senhor está procurando um lugar onde Ele é completamente recebido e totalmente bem-vindo. Não Cristo mais alguma coisa. E não Cristo menos uma parte de Cristo. Mas Cristo tudo e em todos. Deus está procurando um povo que receberá Cristo como o seu tudo. E esta é a igreja que Deus gostaria de ter. Uma olhada mais de perto para Maria, voltemos à nossa história. Note onde Maria está sentada. Ela está aos pés do Senhor. Esta é a postura de um discípulo (ver At 22:3). O que ela está fazendo aos Seus pés? Ela está ouvindo-O falar. Sua atenção está fixada em Cristo. Ela está escutando atentamente a Sua Palavra. Os doze também estão presentes, indubitavelmente aos Seus pés também (o verso 38 deixa bem claro que eles estavam ali).
O que é isso? Isso é um belo quadro de uma reunião da igreja. Quando nos reunimos como igreja, entramos na presença de Jesus Cristo. Ele está em nosso meio. E... Ele está falando. Nesta história, Cristo está falando através do Seu corpo físico. Mas hoje, Ele fala através de um canal diferente. Sabemos qual é esse canal, não é? É o pastor, certo? Não! Ele ainda fala através do Seu corpo – Seu corpo espiritual. Não através de um pastor. Não através de um grupo de presbíteros. Mas Ele fala através de nós – o Corpo de Cristo (os pastores se parecem com Seus pequenos adornos. Cristo tem um Corpo inteiro através do qual Ele fala). Nos reunimos para cultuá-Lo, adorá-Lo, e ouvi-Lo falar Sua Palavra uns para os outros. E por esta Palavra vivemos. Agora, aqui está uma marca para alcançar: Cada vez que você se reúne, quando você sai pela porta e deixa a reunião, deveria ser capaz de dizer: “O Senhor nos falou de novo hoje e isso é o que Ele revelou de Si mesmo a nós”. Isso requer que cada um de nós se torne uma Maria. Isso requer que cada um de nós se sente aos Seus pés durante a semana e aprenda Dele. E logo quando nos reunimos, compartilhamos o que aprendemos Dele uns com os outros. Sou um forte advogado de cristãos que se reúnem em pares durante a semana para passar um tempo com o Senhor antes das reuniões corporativas. Observe que Maria não se sentava aos pés do Senhor sozinha. Os Doze também estavam com ela. E Lázaro também pode ter estado presente. Portanto Betânia é o lugar onde nos sentamos aos pés do Senhor em conjunto, e nos submetemos ao Seu Senhorio. Esta é a primeira lição que cada igreja autêntica deve aprender.
Escolhendo a melhor parte
Esta história normalmente é interpretada como sendo um exemplo da tensão que existe entre aqueles que se dão ao serviço exteriormente e aqueles que se dão ao culto interior. Penso que esse modo de ver a história tem um pouco de mérito, mas não quero tomar este curso hoje. Penso que ele deixa escapar o grande ponto. Deixe-me dar a vocês algum contexto histórico que lançará nova luz sobre nossa história. No tempo de Jesus, as casas eram divididas em uma área masculina e uma área feminina. A cozinha era o domínio das mulheres (esse ainda é o caso em alguns países, como a Etiópia). Os homens não entravam na cozinha. A sala pública era para os homens. Uma mulher se instalar na sala pública com os homens era considerado muito impróprio. Até escandaloso. Os dois únicos lugares onde os homens e as mulheres compartilhavam eram o dormitório marital e fora da casa onde as crianças brincavam.
Agora quero que você veja o Senhor Jesus andando nesta casa com Seus doze discípulos. Marta O acompanha com os Doze até a sala pública – o espaço dos homens. Jesus não pede por uma refeição. Em vez disso, Ele deseja ensinar. Portanto começa a falar. Os Doze estão todos reunidos em torno Dele, sentados aos Seus pés. Mas algo está estranho neste quadro. Uma mulher também está presente. E ela também está sentada aos Seus pés. Maria cruzou uma linha invisível. Ela rompeu dois limites sociais. Primeiro, ela está sentada no espaço masculino. Em segundo lugar, ela está sentada na posição de um discípulo. Agora por que isso é significante? Porque todo mestre naqueles dias só tinha discípulos masculinos. Jesus foi uma exceção. Ele deu as boas-vindas às mulheres para que fossem Suas discípulas também. Vamos passar para a cozinha e dar uma olhada em Marta. Ela tem uma coisa em mente. Ela quer dar ao Senhor as boas-vindas apropriadas. Ela está preparando uma grande refeição para Jesus e Seus discípulos. Ela está trabalhando como escrava na cozinha preparando a comida, tomando os pratos, a melhor prataria, etc. Mas como cada minuto se vai, ela começa a se desesperar. Sua irmã não a está ajudando em nada. Em vez disso, está na sala pública sentada aos pés de Jesus como um de Seus discípulos masculinos. Em outras palavras, Maria está atuando como um homem! Marta continua trabalhando na cozinha, esperando que Maria se levante e a ajude. Ela enfrenta um trabalho duro. Mas já não pode esperar mais tempo. Ela assalta a sala pública e protesta a Jesus. “Maria não está me ajudando. Você não se preocupa com isso! Diga a ela que me ajude!” Marta na verdade dizia: “Minha irmã está na sala pública e atua como um homem quando deveria estar na cozinha para me ajudar!” Note que em meio ao protesto de Marta, Maria está em silêncio. Ela não se defende. Ela deixa que o Senhor a defenda. E Ele o faz. A resposta do Senhor a Marta é suave: “Marta, Marta, você está importunada e incomodada com muitas coisas. Maria está preocupada com uma só coisa. E esta é a coisa mais necessária. É a melhor coisa – ser meu discípulo”. “Uma coisa é necessária”, disse Ele, “E não a tirarei dela”. O Senhor parece estar dizendo que uma coisa é necessária... “a melhor parte”, como algumas traduções colocam, que é conhecê-Lo. E a partir desse conhecimento flui o serviço inteligente. Um serviço que flui do amor, amizade, e comunhão. A maior prioridade na vida é conhecer o Senhor. E isso requer tempo aos Seus pés. Mas algo mais está acontecendo aqui.
Expondo o coração
Em Betânia, os nossos temperamentos, as nossas disposições, e os nossos motivos são expostos. Quero que você note: Jesus não disse que as muitas coisas com as quais Marta estava incomodada eram erradas. Ele simplesmente indicou que só uma coisa é necessária.
Encontramos que Jesus nunca disse a Marta para deixar de servir. O que Ele fez foi expor o fato de que o seu serviço foi mal guiado e mal dirigido. O seu coração estava no lugar incorreto. Ela estava presa à coisa incorreta. Ela estava tão ocupada com a preparação de uma refeição apropriada que não percebeu que o próprio Deus estava sentado em sua sala de estar! E o Senhor expôs isso. Posso ver Marta, febrilmente servindo, trabalhando, e labutando, mas não tendo nenhum tempo para sentar-se aos pés do Senhor, amá-lo, ter comunhão com Ele, e descobrir como Ele deseja ser servido. Ponto: o nosso serviço ao Senhor sempre deveria fluir da nossa comunhão com Cristo. Aprenda a sentar-se aos pés do Senhor e ouvir a Sua palavra, então se levante e sirva à Sua ordem. Assim nessa breve narrativa, descobrimos quatro características de Betânia. Em Betânia Jesus Cristo é completamente bem-vindo e recebido. Em Betânia, nos sentamos em Sua presença, ouvimos a Sua Palavra, e a compartilhamos com nossos irmãos. Em Betânia, às mulheres são dados os mesmos privilégios e a mesma posição que aos homens. Em Betânia, os nossos temperamentos, disposições e motivos são expostos. Agora desejo dar uma palavra de exortação à igreja em St. Agustine e a toda igreja que ouvir esta mensagem. Seja Betânia. Receba o seu Senhor apropriadamente e completamente. Faça do conhecer a Cristo a sua principal ocupação. Aprenda a sentar-se aos Seus pés e ouvir a Sua voz através dos outros. Deixe o Senhor expor os seus corações. E não fujam uns dos outros quando Ele o faz. Em vez disso, aceite o Seu tratamento. Para que? Para que possa haver um lar para Jesus Cristo nesta cidade. Uma Betânia, se você quiser. Vamos agora para a segunda narrativa.
O SEGUNDO ENCONTRO
Princípio do ano 30 D.C.
“Um certo homem ficou doente, Lázaro de Betânia, a cidade de Maria e sua irmã Marta... Por isso, as irmãs enviaram-Lhe, dizendo, ‘Senhor, veja, aquele que Tu amas está doente’... Jesus amava Marta e sua irmã e Lázaro. Deste modo, quando ouviu que ele estava doente, ficou mais dois dias no lugar onde estava... ‘Nosso amigo Lázaro dorme, mas vou para que possa despertá-lo’... Então, quando Maria veio onde Jesus estava, e O viu, caiu aos Seus pés, dizendo-Lhe, ‘Senhor, se Tu estiveste aqui, meu irmão não teria morrido’... Jesus chorou... Então Jesus, movendo-se novamente em Si mesmo, veio ao sepulcro. Era uma caverna, e uma pedra posta sobre ela. Jesus disse: ‘Tirai a pedra’. Marta, irmã daquele que estava morto, disse-lhe: ‘Senhor, já cheira mal, já que ele morreu há quatro dias’... Quando Ele disse essas coisas, gritou com grande voz: ‘Lázaro, sai para fora!’ E aquele que tinha morrido saiu com as mãos e os pés atados com faixas, e seu rosto enrolado com um lenço. Jesus disse- lhes: ‘Solte-o, e deixe-o ir’” (Jo 11:1-44)
Esta história, que abreviei acima, nos leva mais além no significado de Betânia com relação ao coração do Senhor por Sua igreja. Pode-se notar amor e amizade desde bem no início desta narrativa, nos é dito que Jesus amava Marta, Maria, e Lázaro. E este amor foi sentido e compreendido. Ouça as palavras de Maria e de Marta: “Aquele que Tu amas está doente”. O amor do Senhor por eles não era uma idéia abstrata. Eles conheciam a esse amor e tinham certeza dele. Note também que Jesus chamava Lázaro de Seu amigo. Ouça Suas palavras: “Nosso amigo Lázaro dorme”. Em João 15, o Senhor disse aos Seus discípulos: “Não mais os chamarei de servos, porque o servo não conhece o negócio do seu mestre. Em vez disso, os chamarei de amigos, porque tudo que aprendi de meu Pai o fiz conhecido a vós”.
Amor e amizade
Essas duas palavras resumem o coração de Betânia. Betânia é o lugar onde Jesus Cristo ama os Seus, e os Seus não duvidam disso. É também o lugar da amizade. Amizade com o Deus vivo. Essas duas palavras revelam o coração de Cristo. Ele deseja amigos, não servos. Ele deseja o amor, não o serviço. No templo frio de Jerusalém, Deus era servido. Mas no calor de um lar em Betânia, Ele era amado e considerado amigo. Quando leio esta passagem, vejo um Senhor que está dizendo: “Não vim a esta terra para ser servido. Vim para ter amigos. Vim para amar e ser amado. Vim para tomar um povo em meu próprio seio. Vim para revelar os segredos do meu coração aos meus amigos. Pois estou em casa com eles”. Este é a significado de Betânia. E é o que o Senhor está buscando em Sua igreja.
Crise em Betânia
Vamos em frente. Uma crise ocorreu em Betânia. Lázaro morreu. Fico impressionado com o fato de que Jesus é o mestre da situação. Ele está completamente no controle. Não há nenhuma preocupação, nenhuma pressa, e nenhuma inquietude da Sua parte. Está claro que ouviu do Pai sobre toda a situação. Observe que Marta atua segundo o seu caráter. Ela corre à frente de sua irmã. Mas veja Maria. Ela também está atuando segundo o seu caráter. Ela está aos pés do Senhor novamente. A cena é caótica. A aflição está por toda Sua volta. Lamentação e tristeza estão em todo lugar. O Seu maior inimigo – a morte – tomou aquele que Ele amava. O Senhor está profundamente incomodado e perturbado. Aqui descobrimos que Deus é sensível à nossa tristeza. Muito embora soubesse que levantaria Lázaro dos mortos, ainda assim é tocado pela tristeza que afligiu Maria, Marta, e toda a aldeia. Este é um momento que pára o coração. Aquele que criou o universo está chorando na sepultura do Seu amigo. E Ele, a Ressurreição e a Vida, levanta Seu amigo dos mortos. Aqui temos outra característica de Betânia. A crise e então a ressurreição. Na ressurreição, Deus começa tudo outra vez com uma nova criação. Mas a ressurreição sempre vem depois do sofrimento e da morte. Há crise em Betânia. Há sofrimento em Betânia. E ousarei dizer, há morte em Betânia. A cruz está bem no próprio centro de um corpo de crentes que estão apoiando a restauração da igreja. Eles experimentarão a morte – períodos secos, sofrimentos uns com os outros, morte para suas agendas, aspirações, opiniões, preferências, e ambições. Mas é assim que Deus edifica Sua casa. Saindo da morte, a vida do Senhor é expressa e somos edificados juntos em um lar para Jesus Cristo. Deus traz a morte para a nossa vida para que Ele possa dispensar Sua ressurreição.
Colocando de outra forma: Se você vai fazer uma casa para o Senhor Jesus Cristo, tempos difíceis virão. A crise virá. O sofrimento virá. As dificuldades com os seus irmãos virão. Mas lembre-se: Você não pode ter uma ressurreição sem morte. E você nunca conhecerá um Senhor triunfante até que enfrente uma crise. A igreja vive em ressurreição. Mas deve haver morte antes que a vida ressurreta do Senhor possa ser manifestada. Ouça as palavras de Paulo: “Levando sempre em nosso corpo a morte de Jesus, para que a vida de Jesus também se manifeste em nosso corpo mortal. Pois nós que estamos vivos estamos sempre entregues à morte por amor a Jesus, para que Sua vida possa ser manifestada em nosso corpo mortal. De modo que, a morte opera em nós para que a vida opere em vós” (2 Co 4:10-12). Quando a morte entra em nossa vida, tendemos a culpar os outros. Nós não gostamos de sofrer, portanto tendemos a culpar aqueles por cujas mãos ele vem. Mas lembre-se: Deus é o autor da cruz bem como da ressurreição que espera do outro lado. E Ele está nos transformando segundo a Sua imagem. O sofrimento é uma parte crucial neste processo. Quero elogiar tanto Marta quanto Maria no momento mais negro. À vista da morte, elas se apegaram ao Senhor. Ele não satisfez suas expectativas ou suas esperanças. Para suas mentes, Ele deixou o irmão delas morrer. Contudo ainda se apegaram a Ele em fé, independentemente.
Um Deus que espera muito tempo
Em Betânia, descobrimos um Deus que está disposto a esperar até que seja tarde demais. Nesta história, Jesus nos mostra que quatro dias é demasiado tarde. Desde que dei a minha vida para a jornada de restaurar a casa de Deus, conheci um Deus que espera quatro dias mais tarde em minha própria vida. Conheci um Deus que parece ter o hábito perturbador de deixar a cena quando mais preciso Dele. Quando as coisas se tornam mais difíceis, Ele muitas vezes nos liberta daquela prisão. Em Betânia, Ele deixará Seu povo passar por uma longa morte. Nem sempre Ele o resgatará quando você quiser. Ele não atuará segundo o seu cronograma todas as vezes. Ele o deixará morrer. E logo esperará quatro dias até que faça algo. Pense nisto, não é assim? A morte é desesperança. Mas quatro dias depois da morte está além da desesperança. Jesus Cristo esperará até que você esteja morto por muito tempo. Mas então... quando você menos espera... Ele virá saltando por sobre as montanhas de algum modo estranho e imprevisto de fazer isso com o qual você nunca sonhou. Deus nos permitirá entrar em situações que estão além da ajuda humana. Por que? Para que Ele possa expor a glória da Sua vida de ressurreição. Você vê, a ressurreição é um ato apenas de Deus. E é por isso que ela sempre dá a Ele a glória.
Assim há crise em Betânia. Há morte em Betânia. Há tristeza e sofrimento. Mas há também ressurreição. E Deus não pode dispensar o último até que estejamos dispostos a abraçar o primeiro. O poder da Sua ressurreição sempre segue a comunhão dos Seus sofrimentos. Nunca se esqueça: Ele é Ressurreição e Ele é Vida. E se você espera Nele, Ele conseqüentemente rolará a pedra e o levantará dos mortos. Mas há algo além tudo isso, que é encontrado no verso 44.
Libertação de todas as coisas
Considere a ordem do Senhor no verso 44: “Solte-o e deixe-o ir”. “Libertem-no e deixem-no ir”. “Desatem-no e deixem-no ir”. O que é isso? Isso é libertação da escravidão. Olhe para Lázaro no sepulcro. Ele está morto. O seu corpo está começando a se deteriorar. Por isso, ele fede. Ele está atado com a mortalha. Elas são a roupa da morte. Jesus dispensa a Sua vida de ressurreição pela Sua palavra. E o que acontece? Lázaro é vivificado. Ele é feito uma nova criação. E Ele é libertado da escravidão de sua mortalha. “Desate-o e deixe-o ir!” Note que essa foi uma ordem para a multidão. Jesus não desatou Lázaro. Ele disse à multidão que o fizesse. Vejo duas coisas aqui. Primeiro, Betânia é o lugar onde o povo de Deus é posto em liberdade de todas as escravidões. Escravidão da religião, escravidão da Lei e do espírito de legalismo, escravidão do pecado, escravidão do mundo, escravidão do serviço a Deus na carne, e toda outra espécie da escravidão. Em segundo lugar, somos os cooperadores do Senhor na libertação de outros. Era como se o Senhor dissesse: “Quero que você coopere comigo em trazer libertação a outros. Já que os coloquei em liberdade, vocês são agora os meus agentes para libertar a outros”. “Solte-o e deixe-o ir”, é a palavra que o Senhor deu aos que vivem em Betânia. Se o Senhor me libertou, Ele me deu Seu poder para libertar a outros. Isto é precisamente o que a vida de ressurreição nos faz. Ela nos libera de todas as coisas exceto do próprio Cristo. Portanto Betânia é o lugar onde a vida de ressurreição de Cristo é exposta em meio a crise, e é o lugar onde o povo de Deus é liberto. Vamos agora para a terceira narrativa.
Leia agora a Parte 2 desse artigo.
