PEGADAS: PARTE 3
SEGUINDO AS PEGADAS DO CORDEIRO
SEGUINDO O CORDEIRO NO GETSÊMANI
Mateus 26.36-45: “Então foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse aos discípulos: Sentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar. E levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Então lhes disse: A minha alma está triste até a morte; ficai aqui e vigiai comigo. E adiantando-se um pouco, prostrou-se com o rosto em terra e orou, dizendo: Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres. Voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Assim nem uma hora pudestes vigiar comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. Retirando-se mais uma vez, orou, dizendo: Pai meu, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, faça-se a tua vontade. E, voltando outra vez, achou-os dormindo, porque seus olhos estavam carregados. Deixando-os novamente, foi orar terceira vez, repetindo as mesmas palavras. Então voltou para os discípulos e disse-lhes: Dormi agora e descansai. Eis que é chegada a hora, e o Filho do homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores”.
João 19.17-22, 28-30: “Tomaram, pois, a Jesus; e ele, carregando a sua própria cruz, saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota, onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio. E Pilatos escreveu também um título, e o colocou sobre a cruz; e nele estava escrito: JESUS O NAZARENO, O REI DOS JUDEUS. Muitos dos judeus, pois, leram este título; porque o lugar onde Jesus foi crucificado era próximo da cidade; e estava escrito em hebraico, latim e grego. Diziam então a Pilatos os principais sacerdotes dos judeus: Não escrevas: O rei dos judeus; mas que ele disse: Sou rei dos judeus. Respondeu Pilatos: O que escrevi, escrevi. Depois, sabendo Jesus que todas as coisas já estavam consumadas, para que se cumprisse a Escritura, disse: Tenho sede. Estava ali um vaso cheio de vinagre. Puseram, pois, numa cana de hissopo uma esponja ensopada de vinagre, e lha chegaram à boca. Então Jesus, depois de ter tomado o vinagre, disse: está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito”.
Vamos orar:
Senhor, nosso coração está cheio de gratidão e louvores. Te agradecemos porque Tu nos convidaste para Tua mesa. Tu nos fazes lembrar mais uma vez como Tu nos ama. Senhor, Teu sangue foi vertido por nós. Tua vida foi derramada por nós. Te agradecemos e louvamos a Ti, pois somos o que somos por Tua graça. Senhor, queremos permanecer diante de Ti com o coração agradecido. Desejamos Te ouvir falar conosco. Possa Tua palavra se tornar espírito e vida em nós, para que Tua vontade possa ser consumada e Tu recebas a glória. Senhor, pedimos que Teu Santo Espírito se mova entre nós e revele a Ti de uma forma viva em cada coração. Possamos ver Tua glória e beleza e pelo Teu Espírito sermos transformados e conformados à imagem do Teu Cordeiro. No nome de Jesus Cristo. Amém.
Agradecemos ao Senhor porque podemos nos reunir diante Dele, assim podemos ver nosso Senhor juntos. E porque vemos a Ele, podemos ser transformados. O tema da nossa reunião é: Eles seguem o Cordeiro onde quer que Ele vá. E nós somos aqueles que também querem seguir o Cordeiro.
NOSSO SENHOR EM BELÉM
Mencionamos que o primeiro lugar que o Cordeiro de Deus foi nesta terra foi Belém. Ele esvaziou a Si mesmo. Colocou de lado a glória de Deus. Veio a esta terra como homem, e nasceu em um pequeno lugar chamado Belém. Nasceu em um estábulo porque veio a terra para tomar a forma de escravo por amor. Deixou Seus direitos como Deus e não se aferrou aos direitos de homem. Ele quis ser um escravo sem nenhum direito. Este é o significado de Belém. Portanto, se queremos seguir o Cordeiro, precisamos começar em Belém. Se não quisermos nos humilhar diante de Deus, se não quisermos abandonar nossos assim chamados direitos, não há forma de podermos seguir o Cordeiro de Deus.
NOSSO SENHOR EM NAZARÉ
Então vimos que nosso Senhor cresceu em Nazaré. Embora tenha gastado muito tempo em Nazaré, o registro na Bíblia é muito esparso a respeito deste período da Sua vida. Estes anos de formação da vida de uma pessoa são muito importantes. O que acontece durante este período do crescimento de uma pessoa determina o que ela será no futuro. Mas muito pouco está registrado na Bíblia sobre nosso Senhor antes da idade de trinta anos. Ela somente diz que Ele cresceu em Nazaré. Naquele tempo Nazaré era um lugar desprezado porque na mente dos judeus, a Galiléia é a Galiléia dos gentios. O povo que vivia ali vivia em trevas e não conheciam nada. Nenhuma coisa boa havia vindo de Nazaré, e a Galiléia nunca havia produzido um profeta. Por isso Nazaré era um lugar desprezado e escondido, mas nosso Senhor cresceu naquele lugar. Cresceu em estatura. Era cheio de sabedoria e o favor de Deus estava sobre Ele. Esta é a descrição de como Ele cresceu desde criança.
Sabemos também que quando nosso Senhor tinha doze anos, se tornou filho da lei. Havia uma consciência Nele de que deveria estar ocupado com os negócios do Seu Pai. Mas por causa da Sua obediência aos pais terrenos, deixou Jerusalém e voltou para Nazaré com eles. Embora soubesse que era o Filho de Deus e deveria estar ocupado com os negócios do Seu Pai, se submeteu aos Seus pais terrenos. A Bíblia nos diz em uma frase que Ele crescia em sabedoria, em estatura física e no favor de Deus e dos homens.
Quando nosso Senhor cresceu também aprendeu uma profissão. Porque Seu pai terreno era um carpinteiro, Ele também aprendeu o ofício de carpinteiro. E lemos na Bíblia que as pessoas O chamavam de o carpinteiro. Isto quer dizer que este carpinteiro é de fato um excelente carpinteiro. Além deste, a Bíblia não tem nenhum outro registro porque Sua vida em Nazaré foi uma vida escondida. Exteriormente, Ele cresceu da mesma forma que os outros jovens. Tornou-se forte fisicamente. Cresceu no conhecimento. E era obediente aos Seus pais. Também aprendeu uma profissão. Encontrou favor diante de Deus e diante dos homens. Este é um crescimento muito normal, mas também tinha um crescimento escondido. Durante aqueles anos, em Seu espírito tinha uma comunhão muito doce com Seu Pai nos céus, e Seu conhecimento da vontade de Deus se tornou cada vez mais claro. Ele via Seu Pai em todas as circunstâncias. Por causa da Sua comunhão com Seu Pai em secreto, Deus O preparou para a obra que estava à frente.
Hoje, se quisermos seguir o Cordeiro temos que estar em Nazaré também. Não precisamos somente de um crescimento normal como seres humanos, mas como crentes precisamos ter uma consciência interior de que fomos salvos pela graça. Como seres humanos, crescemos gradualmente. Nosso corpo físico precisa crescer, nosso conhecimento precisa crescer e temos que nos submeter aos nossos pais. Não podemos estar ociosos. Temos que ser diligentes, justamente como nosso Senhor o foi como um carpinteiro. Não podemos ser descuidados naquilo que fazemos; devemos fazer o nosso melhor. E temos que encontrar graça em Deus e nos homens. Este é o crescimento normal de uma pessoa.
Mas para nós que fomos salvos pela graça e temos a vida do Senhor em nós, precisa haver uma consciência interior de que não somos pessoas comuns, somos cristãos – o povo de Cristo. Somos filhos de Deus. Porque somos filhos de Deus, devemos ter uma consciência interior de que embora vivamos neste mundo, somos diferentes das pessoas do mundo. Vivemos neste mundo mas devemos estar atentos aos negócios de Deus. Para nós o propósito da vida é para adorar a Deus e servi-Lo porque isto é o que a Bíblia nos ensina.
Lembre-se de que quando Jesus foi tentado, disse a Satanás: “Ao Senhor teu Deus adorarás e somente a Ele servirás”. Este é o propósito da vida. Por isso para nós que fomos salvo pela graça, esta consciência precisa ser intensa quando crescemos. Mas para que esta consciência seja plenamente desenvolvida precisamos ter uma vida escondida. Precisamos comungar com Deus em secreto. Precisamos orar escondido em nosso quarto. Precisamos habitar no lugar secreto do Todo Poderoso. E precisamos ter comunhão constante com nosso Pai celestial. No lugar secreto conhecemos a Deus mais e mais. Então conhecemos Sua vontade para nós mais e mais. Isso é o que a experiência de Nazaré significa para nós. Se quisermos seguir o Cordeiro, precisamos crescer em Nazaré.
NOSSO SENHOR NA GALILÉIA
Quando nosso Senhor tinha trinta anos, saiu para pregar. Durante os três anos e meio de Suas pregações, a maioria da Sua obra foi feita na Galiléia. Naquele tempo Jerusalém na Judéia era o centro do judaísmo. O judaísmo tinha se tornado uma religião, um sistema. Originalmente, a revelação de Deus era viva, mas com o tempo ela se tornou apenas uma forma externa. Originalmente, o Velho Testamento era a palavra viva de Deus, mas naquele tempo ele havia se tornado algo para ser estudado pelos escribas e fariseus. A vontade de Deus deveria tocar a parte mais íntima do nosso coração. Deveríamos amar o Senhor nosso Deus com todo nosso coração, com toda nossa alma, com toda nossa força e deveríamos amar nosso próximo como a nós mesmos. Esta é a essência da lei. Mas naquele tempo, as pessoas apenas guardavam as letras da lei; elas obedeciam ao espírito da lei. As pessoas controlavam todas as coisas. Isto havia se tornado uma religião deste mundo. Havia se tornado em um sistema, e este sistema rejeitou até mesmo o evangelho de Deus. Por isso João o batista tinha que pregar no deserto da Judéia. As pessoas precisavam deixar Jerusalém, deixar toda a região da Judéia e ir ao deserto para receber o evangelho de Deus.
Quando nosso Senhor começou a pregar, Ele começou na Galiléia. Somente os capítulos 1 a 5 do evangelho de João registram as primeiras obras do nosso Senhor em Jerusalém. Os outros três evangelhos começam com a obra do nosso Senhor na Galiléia. O Senhor trabalhou entre as pessoas que eram desprezadas. Seu evangelho era para os pobres assim que aqueles que eram humildes podiam receber graça. Embora a Galiléia tenha dado boas vindas a nosso Senhor a princípio, logo depois viram nosso Senhor pelos olhos da carne. Disseram: “Este Jesus nós conhecemos. Sabemos os nomes de Seus irmãos, sabemos quem são Suas irmãs, mas onde este Homem obteve Sua sabedoria?” Porque viram nosso Senhor pelos olhos da carne, não puderam conhecê-Lo. Assim eles também O rejeitaram. Se quisermos conhecer o Senhor, temos que conhecê-Lo no espírito. Embora eles O tenham rejeitado, nosso Senhor ainda fielmente e diligentemente serviu aos judeus naquele tempo. Ele os serviu de acordo com a vontade de Deus. Disse a eles a vontade de Deus. Pregou o evangelho do reino. Embora a maioria das pessoas não tenha recebido Sua mensagem, aqueles que queriam ser como crianças receberam graça. Assim havia um grupo de pessoas que se tornaram Seus discípulos. Do ponto de vista do homem Sua obra na Galiléia foi um fracasso. Mas agradecemos e louvamos a Deus, pois aos olhos de Deus Sua obra foi bem sucedida.
Com a preparação que temos no lugar secreto, servimos ao nosso Senhor abertamente. Não importa onde o Senhor nos coloque, estamos ali para servi-Lo. Se você é um médico, lembre-se você é um cristão. Seu trabalho como um médico é sua ocupação. Sua vocação é servir a Deus. Se você trabalha em uma companhia, este trabalho é sua ocupação. Sua vocação é servir ao Senhor. Você serve ao Senhor enquanto trabalha em uma companhia. Daniel era o primeiro ministro na Babilônia e na Pérsia, mas o rei da Pérsia disse: “... o Deus que Daniel serve”. Assim em qualquer profissão que você esteja, em qualquer lugar que o Senhor o coloque, você é um servo do Senhor. Se servimos a Deus de acordo com Sua vontade, não buscamos a glória do homem, mas buscamos somente a glória de Deus. Se este é o caso, muito provavelmente não seremos muito bem sucedidos no mundo. Aos olhos do mundo você pode não ser bem sucedido; mas, o sucesso espiritual não é baseado na avaliação dos homens. A realização espiritual é de acordo com a própria vontade de Deus.
NO JARDIM
Depois que nosso Senhor trabalhou por três anos e meio, foi a Jerusalém para a última etapa. Quando viu Jerusalém, chorou ruidosamente e disse: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, apedrejas os que a ti são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas [Havia águias voando no céu, por isso a mãe galinha ajunta seus pequenos pintos sobre suas asas.], e não o quiseste! Eis aí abandonada vos é a vossa casa. Pois eu vos declaro que desde agora de modo nenhum me vereis, até que digais: Bendito aquele que vem em nome do Senhor”. (Mateus 23:37-39).
A última vez que nosso Senhor entrou em Jerusalém, ficou por cerca de uma semana. No último dia comeu a refeição da Páscoa com Seus discípulos. Depois da refeição da Páscoa, trouxe Seus discípulos com Ele para fora da cidade para um jardim. Este jardim era um lugar que frequentemente visitava aos pés do monte das Oliveiras chamado Getsêmani. O significado de Getsêmani é “prensa de óleo”. Havia muitas árvores de oliveira no monte das Oliveiras e também no jardim. Quando as azeitonas estavam maduras, as pessoas as punham na prensa para retira o óleo. Por isso o jardim era chamado de Getsêmani. Se você tiver a oportunidade de visitar aquele lugar hoje, ainda existem algumas oliveiras muito velhas, provavelmente não com dois mil anos, mas alguns dizem que elas têm mais de dois mil anos. Elas ainda produzem azeitonas.
Nosso Senhor muitas vezes ia até ali pela tarde para orar e ter comunhão com Deus. Neste último dia Ele soube que Sua hora havia chegado. Ele teve que ir ao Getsêmani. Foi ali gastar tempo para estar próximo ao Seu Pai. Quando foi ao jardim do Getsêmani, onze discípulos foram com Ele. Judas já os havia deixado para ir ao sumo sacerdote traí-Lo. Assim o Senhor conduziu os onze discípulos ao Getsêmani. Deixou oito na entrada do jardim e levou somente três para dentro do jardim – Pedro, Tiago e João. Por quê? Provavelmente o Senhor pensou que estes oito discípulos ainda não estavam aptos a serem um só coração e mente com Ele. Mas Ele esperava que os três estivessem aptos para vigiar e orar com Ele. Quando entrou no jardim, a Bíblia diz que Ele estava angustiado e afligido. Estava grandemente pressionado em Seu espírito. Em Sua alma estava entristecido até a morte.
Sabemos que todos os quatro evangelhos mencionam nosso Senhor indo ao jardim do Getsêmani. O evangelho de João não nos diz o que aconteceu dentro do jardim. Somente Mateus, Marcos e Lucas descrevem o que aconteceu. Qual é a razão para isto? O evangelho de João não descreve o que aconteceu dentro do jardim porque João enfatiza que nosso Senhor Jesus é Deus. Ele é o Filho de Deus. O que o Senhor experimentou no jardim do Getsêmani, experimentou como Filho do Homem. O Filho de Deus não teve esta experiência. Mas porque nosso Senhor é um Homem perfeito, passou por esta profunda experiência.
ABATIDO NO ESPÍRITO
A experiência de nosso Senhor no Getsêmani é algo muito difícil para nós humanos compreender. Nos admiramos de que Deus realmente tivesse esta experiência registrada na Bíblia. Creio que Deus tem uma lição para nós quando registrou esta experiência do Senhor Jesus no jardim. Nosso Senhor sabia que quando veio a esta terra, veio para morrer. Quando tinha trinta anos, antes de sair para o ministério público, a primeira coisa que fez foi ser batizado. Como um Cordeiro, quis oferecer a Si mesmo ao Pai através do ato do batismo. Ele queria ser nosso substituto. Ele não precisaria ser batizado, mas para cumprir toda justiça, passou pelo batismo por nossa causa. E ali ofereceu a Si mesmo ao Pai como um Cordeiro para ser morto. A sombra da cruz estava sobre Ele por toda Sua vida. Disse aos discípulos em inúmeras ocasiões que devia ir a Jerusalém, ser traído e ser morto, mas no terceiro dia ressuscitaria. Por isso quando soube que o dia havia chegado, voltou Sua face para Jerusalém.
Mas quando entrou no jardim do Getsêmani de repente O vemos abatido em Seu espírito. Aquilo pareceu ser uma violenta batalha. Sua alma estava muito triste até a morte. Orava com tal intensidade que Seu suor se tornou como gotas de sangue. Será que nosso Senhor ficou com medo porque a hora havia chegado? Será que Ele queria recuar por causa da questão que estava diante Dele? Porque orou: “Pai, se possível, passa de Mim esse cálice”?
A TENTAÇÃO DO EGO
Isso é muito, muito difícil para nós entendermos. Sabemos que quando nosso Senhor saiu para o ministério público, o Espírito Santo o levou para o deserto, e foi tentado por Satanás. Aquela tentação, pode-se dizer, incluiu todas as tentações deste mundo. Quando nosso Senhor foi tentado, venceu Satanás pela palavra de Deus. O Getsêmani também foi uma tentação. Esta tentação foi maior do que a tentação do deserto. No deserto Satanás tentou nosso Senhor com o mundo – a concupiscência dos olhos, a concupiscência da carne e a soberba da vida. Nosso Senhor venceu o mundo. Pela palavra de Deus venceu o tentador. Mas no jardim, estando na posição de um homem, enfrentou a maior tentação. Satanás O tentou mais violentamente do que a tentação no deserto. A tentação aqui não foi uma questão relativa ao mundo. Esta questão tinha sido tratada.
Que tipo de tentação é a tentação do jardim? Esta tentação é a tentação do ego. Todos nós sabemos que cada um de nós tem um ego, e nosso ego é um ego caído. Mas o ego de nosso Senhor é santo, justo e perfeito. Mesmo se nosso Senhor tivesse vivido de acordo com Seu velho ego, não havia pecado nele, porque a vida do ego Nele é uma vida santa. Ele é santo, sem mácula. Ele é perfeito e totalmente justo. Ele é puro. A vida do ego de nosso Senhor Jesus como um Homem é impecável e muito além de ser tocada pelo pecado. Você pode ver isso através de Sua vida. Se Ele quisesse viver de acordo com Sua própria vontade, isso não seria errado; mas Ele sempre colocou de lado Seu próprio ego. Ele disse: “Não posso fazer nada por Mim mesmo”. Na realidade, Ele podia fazer muitas coisas por Si mesmo, mas não queria. “Não digo nada por Mim mesmo”. Nosso Senhor, por Si mesmo, podia dizer muitas coisas. Sua sabedoria está acima da sabedoria de Salomão, mas disse: “Não posso dizer nada de Mim mesmo”. Por toda Sua vida negou a Si Mesmo.
Quando nosso Senhor chegou ao fim, Seu ego foi sendo tentado ao extremo. Porque? Se hoje conhecermos um pouco sobre justiça, quando vemos algo injusto, julgaremos. Não deixaríamos estas coisas injustas chegarem a nós. Se conhecermos um pouco sobre santidade, nós nos afastaremos das coisas que não são santas. Por exemplo, se você é limpo, asseado e ordeiro, e alguém que vive com você tem suas coisas espalhadas por todos os lugares e não é limpo, como você se sentiria? Você sofreria. Não é assim?
Nós temos um ego caído. Mas pela misericórdia de Deus, quando vemos o pecado, o achamos repulsivo. Quando achamos uma coisa repulsiva, este sentimento é apenas superficial. Mas nosso Senhor é totalmente sem pecado. Por isso não podemos entender a severidade de Sua reação com relação ao pecado. De fato, quando nosso Senhor veio a terra, o propósito era de levar nossos pecados. Mas vindo ao Getsêmani, a tentação que veio a este Alguém que é sem pecado foi a de se tornar pecado. Ele não apenas deveria levar nossos pecados, Ele deveria ser feito pecado.
Isso era algo que o ego de nosso Senhor absolutamente não poderia aceitar. Não era apenas algum pequeno pecado; o pecado de todo mundo devia agora ser colocado sobre Ele; Ele tinha que se tornar pecado. Para Seu ego santo e perfeito, era totalmente inaceitável. Não era que nosso Senhor queria recuar, mas a tentação era de fato muito severa ao extremo. Era impossível para esse ego perfeito de nosso Senhor aceitá-lo. Mesmo aquele ego tinha que ser totalmente colocado de lado.
Esta é a história do Getsêmani. Por essa razão Ele foi pressionado em Seu espírito. Em Sua alma se sentiu tão triste, mesmo até a morte. Ele orou com tal intensidade que Seu suor caiu como gotas de sangue. Se não houvesse nenhum anjo para vir fortalecê-Lo, Ele poderia ter morrido no jardim porque ninguém podia remover tal conflito.
Hebreus 5 nos diz que embora fosse Filho, nos dias de Sua carne, ofereceu orações e súplicas com grande clamor e lagrimas para Aquele que estava apto para livrá-Lo da morte. E foi ouvido por causa de Sua piedade. Ele pediu que fosse livrado da morte. Mas esta morte não é a morte de cruz. Esta morte é a morte que resulta da desobediência à vontade de Deus. Desobedecer a vontade de Deus é morte espiritual. A vontade de Deus era que Ele tomasse este amargo cálice. A vontade de Deus era que Ele, que é santo e sem mácula, fosse feito pecado para nos salvar. Portanto, nosso Senhor orou com grande clamor e lágrimas, pedindo a Deus para livrá-Lo daquela morte de desobediência, nada importava, Ele obedeceria. E por causa de Sua piedade, Sua oração foi ouvida. Embora fosse Filho, aprendeu obediência com aquilo que sofreu. Ele se tornou nossa eterna redenção. Para aqueles que o seguirão, Ele se tornou sua eterna salvação.
O AMARGO CÁLICE
A questão do Getsêmani é o cálice. O cálice na Escritura significa a vontade de Deus. Para nós, o povo do mundo, que está sob a ira de Deus porque todos pecaram, a vontade de Deus é amarga. Por isso este cálice amargo é algo que deveríamos beber. De acordo com a justiça de Deus, este cálice da Sua ira é a nossa porção. Mas nosso Senhor não deveria beber deste cálice porque a ira de Deus não estava sobre Ele. Deus disse: “Este é Meu Filho amado, em quem me comprazo”. Ele não deveria beber deste cálice da ira, este amargo cálice. Mas Deus disse: “Eu quero que Você beba deste cálice”.
Nosso Senhor quis beber deste cálice amargo porque nos ama, para que nós bebêssemos o cálice das bênçãos. Quando vamos à mesa do Senhor, o cálice é chamado de cálice de benção. Porque podemos beber do cálice de bênçãos hoje? Porque nosso Senhor bebeu o cálice amargo por nós. Por essa razão a experiência do nosso Senhor no Getsêmani foi algo muito profundo. Para vencer a tentação do mundo é através da palavra de Deus. Em 1 João é dito: “Eu vos escrevi, mancebos, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno”. Mas para vencer o ego requer oração e clamor com lágrimas. E quando vigiarmos e orarmos então não caímos em tentação.
Nosso Senhor vigiou e orou. Na segunda vez Ele orou: “Pai, se é da Tua vontade para Eu beber este cálice, quero bebê-lo. Seja feita Tua vontade”. Na terceira vez Ele orou o mesmo. Hoje, temos o cálice de benção porque Ele foi ao Getsêmani. Esta foi a experiência de nosso Senhor, e o Getsêmani foi o lugar para onde o Cordeiro foi. A Bíblia nos diz que os cento e quarenta e quatro mil seguiram o Cordeiro; onde quer que o Cordeiro vá, eles também irão.
NOSSA EXPERIÊNCIA DO GETSÊMANI
Nós também precisamos ir ao Getsêmani, muito embora nossa experiência do Getsêmani não será tão profunda quanto a de nosso Senhor. No entanto, a experiência do Getsêmani é algo que deveríamos experimentar. A segunda carta aos Coríntios nos fala sobre o ministério de Paulo, e no capítulo 4 ele nos conta o segredo de seu ministério. Ele disse que somos como vasos de barro e dentro existe um tesouro para ser manifesto para que a supremacia do poder seja de Deus e não de nós mesmos. Ele foi atribulado de todas as formas, mas não angustiado; perplexo mas não abatido; perseguido mas não desamparado; abatido mas não destruído. Gosto da tradução Phillip: “Somos perplexos mas não desanimados, ao final da capacidade mas não ao final da vida, derrubados com uma pancada mas não nocauteados”.
Paulo é como um vaso de barro. Qual de nós não entesoura nosso próprio ego? Embora sejamos apenas um vaso de barro, achamos isso precioso. O vaso de barro para nós é como um vaso de jaspe, e nós o apreciamos. Na realidade, um vaso de barro é muito comum; não é colorido. É muito medíocre. Existem muitos vasos de barro porque todos somos vasos de barro. Eles não valem nada. Mas agradecemos a Deus, temos um tesouro dentro. Este tesouro é o Senhor Mesmo. Para manifestar a supremacia do poder de Deus não pode vir do nosso ego. O vaso de barro não tem poder, é o tesouro que está dentro que tem. Mas o tesouro está escondido pelo vaso de barro. Quando queremos manter a integridade do nosso ego, a glória do Senhor está restringida ao interior. Por isso Deus cria várias circunstâncias para quebrar o vaso de barro, para partir o vaso de barro. Estamos cercados por inimigos e não temos nenhum lugar para ir. Mas graças a Deus, muito embora estejamos cercados por todos os lados, o caminho para cima ainda está aberto. Quando nosso coração está deprimido e não sabemos o que fazer, estamos em nossa capacidade final, o Senhor em nós tem o caminho. Podemos estar abatidos, mas podemos nos levantar imediatamente. Não podemos fazê-lo nós mesmos, mas é a vida do Senhor em nós que nos faz levantar novamente. Deus usa várias formas para quebrar nosso homem exterior para que nosso homem interior possa ser liberto.
Irmãos e irmãs, para quem é tal experiência? Muitas vezes é para nós mesmos, porque a vida do ego em nós é muito corrupta. Nossa carne é depravada, por isso Deus usará de várias formas para ocasionar a decadência da carne. Mas nós chegaremos a ponto de termos que experimentar sermos quebrados, não por nossa causa, mas por causa da Sua igreja. A morte de Cristo tem que ser operativa em você para que a vida de Cristo possa operar em outros. É por causa do serviço, por causa do ministério.
De uma forma menor esta nossa experiência se assemelha à experiência do Getsêmani. Este ego em nós realmente não é santo, não é justo, não é perfeito. Mesmo assim, parece que algumas destas coisas injustas não deveriam acontecer com você, mas Deus permite que estas coisas aconteçam com você. Parece a você que você não deveria sofrer, mas Deus quer que você sofra porque é Sua vontade. Como deveríamos reagir? Diríamos: “Senhor, Tu estás cometendo um erro. Eu não deveria me deparar com estas coisas; não preciso de tais coisas”. Algumas vezes parece que Deus não ouve sua oração nem presta atenção em você. Ele deixou você; deixou você em trevas. Em tal hora, você se submeteria e aceitaria beber o cálice amargo?
Mesmo de uma forma menor e limitada precisamos experimentar o Getsêmani. Se não podemos passar pelo Getsêmani, não podemos ir à cruz. Esta é a história do Getsêmani. O Senhor foi ao Getsêmani. Nós que seguimos o Cordeiro também precisamos ir ao Getsêmani. Quando você passa pelo Getsêmani, então vem o Calvário. Se você não experimenta o Getsêmani em secreto, então à vista você não pode ir ao Calvário. O Calvário é onde o Getsêmani é expresso.
Vamos orar:
Senhor, agradecemos e louvamos a Ti. Tu não foste somente a Belém por nós. Tu foste a Nazaré por nós. Tu foste a Galiléia por nós, e Tu foste também ao Getsêmani por nós. Tu nos deste o exemplo. Tua vida em nós nos guia e nos faz irmos a estes lugares para que possamos aprender de Ti, e Teu caráter, o caráter do Cordeiro, possa ser constituído em nós. Possamos nós desejosamente nos submeter e obedecer até mesmo a morte, a morte de cruz, para que Tua vontade possa ser consumada em nós. Senhor, possa Teu Espírito nos guiar, possa Teu amor nos constranger e possa Tua graça nos sustentar. No nome de nosso Senhor Jesus. Amém.
Leia agora: Seguindo o Cordeiro no Gólgota.
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