PEGADAS: PARTE 3
SEGUINDO AS PEGADAS DO CORDEIRO
SEGUINDO O CORDEIRO EM
NAZARÉ E GALILÉIA
Mateus 2.19-23: “Mas tendo morrido Herodes, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonho a José no Egito, dizendo: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel; porque já morreram os que procuravam a morte do menino. Então ele se levantou, tomou o menino e sua mãe e foi para a terra de Israel. Ouvindo, porém, que Arquelau reinava na Judéia em lugar de seu pai Herodes, temeu ir para lá; mas avisado em sonho por divina revelação, retirou-se para as regiões da Galiléia, e foi habitar numa cidade chamada Nazaré; para que se cumprisse o que fora dito pelos profetas: Ele será chamado nazareno”.
Vamos orar:
Senhor, nosso coração está regozijante porque Tu nos reuniste em Tua presença. Senhor, nós Te agradecemos e Te louvamos porque Tu prometeste que onde quer que dois ou três estivessem reunidos em Teu nome Tu estarias no meio deles. Senhor, sabemos que Tu és fiel. Cremos que Tu estas aqui. Senhor, nós realmente sentimos que estamos sobre solo santo. Queremos tirar nossos sapatos e nos colocar no lugar de escravos. Queremos dizer a Ti, Senhor, que qualquer ordem que tiveres, Teus servos estão aqui. Possas Tu falar no profundo de nosso coração. Guia-nos ao lugar onde Tu estás, para que possamos gradualmente ser transformados e conformados à Tua imagem, para que Tua vontade possa ser consumada. A glória seja a Ti. No nome do Senhor Jesus. Amém.
Agradecemos ao Senhor porque ainda podemos nos reunir. Sinto que todas as vezes que podemos nos reunir como agora, é de fato uma tremenda graça de Deus, porque provavelmente não existem muitas reuniões como esta na terra. Por um lado, sabemos que o Senhor logo virá, por isso nossas reuniões na terra não serão muitas. Por outro lado, nós também sabemos que os filhos de Deus não podem se reunir livremente em muitos lugares no mundo. Mas Deus é misericordioso para conosco, pois nestes últimos dias nós ainda podemos nos reunir diante Dele. Assim sinto que é muito precioso todas as vezes que podemos nos reunir como agora. Que todas as vezes que nos reunamos, o propósito do Senhor possa de fato ser consumado em nós.
O tema de nossa comunhão para este tempo é seguir o Cordeiro onde quer que Ele vá. Em Apocalipse 14, João teve uma visão. Creio que é o que Deus quer que vejamos também. João viu o Cordeiro no monte Sião e havia cento e quarenta e quatro mil com Ele. Nosso Senhor é o Cordeiro. Quando Ele estava na terra, Ele era o Cordeiro que foi morto. Ele verteu Seu sangue para nos redimir. Hoje, Ele está no céu, mas Ele ainda é o Cordeiro. Ele é o Cordeiro sobre o monte Sião. Sabemos que o monte Sião está no céu, não na terra. O monte Sião da terra é onde Davi estabeleceu seu trono. Aqui está Alguém que é descendente de Davi, mas é maior que Davi. Ele está sobre o monte Sião no céu onde também estabeleceu Seu trono. Assim o que vemos é um Cordeiro que está sobre o trono.
Agradecemos e louvamos a Deus, pois o Cordeiro não está sozinho no monte Sião, mas existem cento e quarenta e quatro mil ali com Ele. E quem são estes cento e quarenta e quatro mil? Eles foram comprados dentre os homens, por isso pertencem a Deus e ao Cordeiro. Eles não apenas pertencem a Deus e ao Cordeiro, eles são aqueles que reconhecem e confessam o nome do Senhor na terra. Eles carregam o testemunho do Senhor na terra. Estas pessoas estão em pé diante do trono e do Cordeiro.
E eles cantam uma nova canção. Esta nova canção é uma canção que não pode ser aprendida na terra. Mesmo aqueles que têm talento musical na terra, não podem aprender esta canção. Esta canção foi composta pela experiência diária daqueles que a cantam. Eles cantam esta canção do fundo do coração. Eles não cantam para os homens, cantam para o Cordeiro. Eles louvam o Cordeiro pelo quanto Ele os guiou em sua vida diária na terra, quanto o Cordeiro revelou a Si mesmo a eles, como os salvou e como enxugou suas lágrimas. Por isso eles cantam para o Cordeiro daquilo que eles experimentaram do Cordeiro.
Eles são virgens. Eles não se contaminaram com este mundo. Eles são fiéis ao Senhor, e nenhuma mentira pode ser encontrada neles. Eles são imaculados. Eles são os primeiros frutos da terra.
Mencionamos que o número cento e quarenta e quatro mil é não um número exato. Se fossem apenas cento e quarenta e quatro mil, pareceria muito pouco. Mas agradecemos e louvamos a Deus, cento e quarenta e quatro mil é um múltiplo de doze e doze representa a perfeição eterna. O que o Senhor quer é um número pleno e completo de pessoas. Entre aqueles que foram redimidos, Ele quer obter os primeiros frutos e estes são os melhores frutos que Ele pode apresentar a Si mesmo.
Disto podemos ver que através das gerações existem pessoas que são como os primeiros frutos entre os filhos de Deus. Porque eles são os primeiros frutos? É porque receberam mais luz a mais calor do sol. E por causa do Senhor, querem suportar mais sofrimento. Por causa do Senhor, eles renunciam mais. Por causa do Senhor, querem dar a si mesmos para seguirem nosso Senhor. Eles estão desligados do mundo. Eles secam mais rapidamente e estão prontos para serem colhidos. Eles são os primeiros frutos.
Mencionamos também que se existem os primeiros frutos haverá uma colheita plena. Por isso a Bíblia nos diz que os vencedores da igreja são para toda a igreja. Eles são como a vanguarda. Eles trazem toda a igreja para o Senhor. Na terra eles seguem o Cordeiro. Eles não buscam outra escolha além de seguir o Cordeiro onde quer que Ele vá. Por esta razão, quando o Cordeiro está sobre o monte Sião, eles estão sobre o monte Sião com Ele.
Esta visão é um grande encorajamento para nós. Por um lado isto nos diz que o que o Senhor quer, o que o Senhor busca de Seus filhos. Por outro, isto nos encoraja a seguir o Cordeiro para que possamos ser parte dos cento e quarenta e quatro mil. É tudo pela graça do Senhor. Se estivermos dispostos a aceitar a graça do Senhor, Sua graça pode nos salvar plenamente. Por isso, agradecemos e louvamos ao Senhor.
Estas pessoas seguiram o Cordeiro. Onde quer que o Cordeiro fosse, eles também iam ao mesmo lugar, mas não estamos nos referindo aos lugares físicos. Agradecemos e louvamos o Senhor, o Cordeiro foi morto desde a fundação do mundo. Na plenitude dos tempos, Ele veio a terra. A Palavra se tornou carne. Ele veio a terra como um Homem. Ele começou em Belém, então foi a Nazaré. Ele trabalhou na Galiléia, então foi ao Getsêmani, e ao Gólgota. Ele foi ressuscitado da morte, ascendido ao céu, assentado no trono, e recebeu Seu Reino. Esta é a trajetória do Cordeiro. Hoje se quisermos seguir o Cordeiro, onde Ele foi, devemos também ir. Onde Ele esteve, ali também devemos estar.
Não estamos falando sobre estar nestes lugares físicos, como peregrinos em uma peregrinação. Quando alguém diz que quer ir a Israel como um peregrino, ele está dizendo que quer ir à cidade atual de Belém, à cidade de Nazaré e Galiléia. Ele quer caminhar nos mesmos lugares que nosso Senhor fisicamente caminhou na terra. Sabemos que muitas pessoas vão a Israel. Assim como o Senhor caminhou de uma estação a outra, e finalmente à cruz, eles fazem o mesmo. Então dizem: “Estivemos lá”.
Fazendo isto nos tornamos mais como o Senhor? Porque fomos a estes lugares, poderíamos ser como o Cordeiro? Poderia o caráter do Cordeiro ser constituído em nós? Sabemos que não é assim.
Quando dizemos que vamos aos lugares onde o Cordeiro foi, isso se refere à experiência espiritual.
BELÉM
O Senhor veio a Belém. Para o nosso Senhor, Belém foi uma grande experiência espiritual. Não foi uma questão simples para o nosso Senhor vir a Belém porque Ele é Deus. Sua igualdade com Deus não foi algo ao que Ele teve que se aferrar. Ele era louvado no céu por todos os anjos e tinha grande poder e autoridade. Ele é onipresente, onipotente e pode fazer todas as coisas. Ele é o Deus de honra e glória. Para Ele vir a Belém não foi uma coisa simples.
Para Ele vir a esta terra não foi tão fácil, mas para vir a este lugar chamado Judéia foi ainda mais difícil. Dentre as cidades da Judéia, Belém era uma pequena cidade. Não foi uma coisa pequena para este grande Deus vir a um lugar tão pequeno e nascer ali como um pequeno bebê. Não havia nenhum quarto na hospedaria para Ele, e não havia nenhuma casa para dar a Ele as boas vindas. Ele nasceu em um estábulo e em uma manjedoura.
Esta não é uma questão simples. Como poderia o Senhor, sendo tão grande, agora se tornar tão pequeno? Todo o universo não é suficiente para conte-Lo, como poderia Ele vir a uma manjedoura? Ele é o majestoso e glorioso Deus, como poderia Ele nascer em uma família pobre? Quando ele nasceu, foi envolvido em panos e colocado em uma manjedoura. Ele nem ao menos veio como as outras pessoas comuns. Como isso poderia ser possível?
Quando lemos Filipenses 2, então entendemos. Embora Ele fosse igual a Deus, isso não foi algo a que Ele se aferrou. Ele tinha a forma de Deus e era cheio da glória de Deus, mas esvaziou a Si mesmo. Certamente não poderia esvaziar a Si mesmo de todas as coisas associadas a Sua deidade – glória, honra, posição e autoridade. Ele deixou o direito de ser Deus. Ele tomou a forma de um servo. Ele não somente veio a terra na semelhança de um homem, mas em Seu coração tomou a forma de um escravo. Ele até mesmo deixou os direitos de um homem porque um escravo não tem direitos nem posição. Ele colocou de lado todas as coisas quando veio a Belém e veio como um pequeno bebê.
É assim que nosso Senhor veio a Belém. Belém nos mostra como nosso Senhor humilhou a Si mesmo desde a mais alta posição a mais baixa. Ele deixou todos os Seus direitos; Ele se tornou um servo fiel diante de Deus para consumar a vontade de Deus. Isto é Belém.
A LIÇÃO DE BELÉM
Hoje, temos também que vir a Belém, e como o hino diz: “Começamos em Belém”. Onde começamos a seguir o Cordeiro? Seguimos o Cordeiro desde Belém. O que significa Belém? Qual é a lição para nós do Cordeiro indo a Belém? A lição é que devemos negara a nós mesmos. Quando nosso Senhor esvaziou a Si mesmo, Seu esvaziamento foi maior porque Ele era cheio. Sabemos que nosso Senhor é rico mas por causa de nós se tornou pobre. Por isso Ele esvaziou a Si mesmo em um grande esvaziamento. Assim sendo quanto podemos nos esvaziar? Quanto temos? Com respeito a nós, mesmo se tivermos algo para esvaziar seria muito pouco. Mesmo as poucas coisas que temos, são de pouco valor. Em nossa carne não há nada bom, mas pensamos que temos muito. Pensamos que somos rico. Portanto, é muito difícil para nós nos esvaziarmos. Na realidade nos consideramos valiosos. Gostamos de nos elevar, e não gostamos de ser humildes. Arrazoamos e argumentamos sobre nossos direitos. Não queremos deixar nossos direitos.
Se quisermos seguir o Cordeiro e se quisermos ter a natureza e o caráter do Cordeiro, então devemos também ir a Belém. Por isso quando nosso Senhor chamou Seus discípulos, disse: “Se um homem não nega a si mesmo, toma sua própria cruz, e Me segue, não é digno de ser Meu discípulo”. Se não nos tornamos como crianças, não podemos entrar no reino dos céus. Se nos humilhamos como uma criança, então somos grandes no reino dos céus.
Quando começamos a seguir o Senhor, o primeiro passo é abandonarmos a nós mesmos. Deus dá graça aos humildes mas resiste ao soberbo. Se nos humilhamos sob a poderosa mão de Deus, no tempo devido Ele nos exaltará. Assim precisamos fazer a nós mesmos esta pergunta: se reconhecemos e confessamos que somos aqueles que seguem o Cordeiro, temos começado em Belém? Ainda estamos agarrados a nós mesmos? Não apenas insistimos em nossos direitos diante dos homens, mas também argumentamos sobre nossos direitos diante de Deus? Estamos querendo nos colocar de lado completamente como nosso Senhor esvaziou a Si mesmo? Ele quer nos esvaziar para que possa nos encher. Aquilo que está sendo deitado fora é nós mesmos; aquilo com que estamos sendo cheios é Ele mesmo. Mas muitas vezes não podemos ver isso. Pensamos que Sua exigência é muito severa. Ele quer apenas nos motivar a diminuir, justamente como os discípulos pensaram naquele tempo.
Lemos em João 6 que os discípulos seguiram o Senhor por causa do pão. E o Senhor disse: “Não busquem a comida que é perecível mas busquem o pão imperecível. Minha carne é verdadeira comida e Meu sangue é verdadeira bebida. Aquele que come Minha carne e bebe Meu sangue tem a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia”. Muitos discípulos, quando ouviram isso, disseram: “Esta fala é muito dura”. Então eles foram embora e não seguiram mais o Senhor. Assim o Senhor perguntou aos Seus doze discípulos: “Vocês querem ir com eles? Se vocês quiserem ir com eles, vocês podem ir”. Mas graças a Deus, Pedro disse: “Senhor, Tu tens as palavras de vida eterna. Cremos que Tu és o Filho de Deus. Para onde podemos ir? Nós o seguiremos”.
Passamos por tal experiência? Temos outros lugares para onde ir? Se tivermos outros lugares para ir, pode ser que nunca tenhamos estado em Belém, e ainda não nos colocamos de lado. Graças a Deus, quando Seu amor realmente nos toca, embora não possamos fazer isso por nós mesmos, Sua graça nos conduz a Belém. Dali podemos começar a seguir o Cordeiro, e o caráter do Cordeiro começa e ser formado em nós.
O REI NASCEU EM BELÉM
Agora queremos dar mais um passo a frente. Nosso Senhor nasceu em Belém. Ele não poderia ter nascido em Nazaré por causa da profecia nas Escrituras. Em Miquéias 5:2, é dito: “Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares de Judá, de ti é que me sairá aquele que há de reinar em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade”.
Lembre-se que os sábios viram Sua estrela e vieram a Jerusalém. Eles vieram por todo o caminho do oriente para adorar o Rei dos judeus. No entendimento deles, o Rei tinha que nascer em Jerusalém. Por isso foram a Jerusalém e perguntaram: “Onde está Aquele que nasceu Rei dos judeus?” Naquele tempo, Herodes era o rei dos judeus, muito embora Herodes não fosse judeu. Ele era um edomeu mas se tornou rei dos judeus. Quando ele ouviu isso, se perturbou grandemente. Reuniu os fariseus e escribas, e perguntou: “Onde este novo Rei nascerá?” Estas pessoas estavam muito familiarizadas com a Escritura. Quando Herodes perguntou, eles não disseram: “Vamos buscar na concordância”. Eles responderam imediatamente porque a resposta estava registrada em Miquéias, um profeta menor. Hoje, se eu pedir a você que abra em Miquéias você gastará um tempo procurando. Mas eles disseram: “No livro de Miquéias é dito que este futuro Rei deverá nascer em Belém”. Assim nosso Senhor nasceu em Belém. Mais tarde, muitas pessoas entenderam mal e pensaram que Ele tinha nascido em Nazaré.
Jesus de fato nasceu em Belém. Isso foi um milagre porque José e Maria viviam em Nazaré. Eles eram descendentes de Davi, mas suas as famílias tinham se tornado muito pobres através dos anos, por isso viviam na área montanhosa de Nazaré. Mas uma coisa maravilhosa aconteceu. Deus fez com que o império Romano decretasse que todos teriam que ir a sua cidade e serem contados em um censo. José trouxe Maria de Nazaré a Belém porque Belém era a cidade de Davi. Eles tiveram que voltar a Belém para se registrarem e serem contados.
A MUDANÇA PARA NAZARÉ
O tempo havia chegado para a criança de Maria nascer. Depois de terem chegado a Belém, ela deu à luz, assim Ele nasceu em Belém. Lemos na Bíblia que depois de nosso Senhor nascer eles o trouxeram ao templo para apresentá-Lo a Deus. De acordo com a lei do Velho Testamento o macho primogênito era dedicado a Deus. Depois de ser apresentado a Deus, eles voltaram a Nazaré? Não, eles não voltaram. Na realidade eles viveram em Belém por um tempo. Como sabemos isso? Pela vinda dos sábios do oriente. Herodes descobriu que este futuro Rei havia nascido em Belém. Ele estimou que o tempo de Seu nascimento havia sido em torno de dois anos. Por isso mandou que todos os meninos abaixo de dois anos fossem mortos. Por isso vemos que depois de nosso Senhor ter nascido, Sua família permaneceu em Belém por um tempo. Quando Herodes mandou que todos os meninos fossem mortos, Deus enviou um anjo para dizer a José: “Deixe rapidamente o Egito”.
Agradecemos a Deus por Sua provisão. Como poderia esta pobre família fazer uma viagem tão longa? Os sábios do oriente tinham oferecido ouro a eles. Deus fez todos os arranjos e eles escaparam para o Egito.
Depois que Herodes morreu, um anjo disse a José em um sonho que deveriam voltar. Assim eles voltaram. Quando ouviram que Arquelau , o filho de Herodes, reinava em seu lugar, José ficou temeroso. “Podemos voltar à Judéia?” E sendo advertido por Deus, não foram a Belém da Judéia; voltaram a cidade natal deles, Nazaré da Galiléia. Nosso Senhor nasceu em Belém, mas Deus arranjou para que Ele fosse levado a Nazaré onde ficou por cerca de vinte e oito anos; Ele viveu ali até quando tinha trinta anos.
Que tipo de lugar é Nazaré? De acordo com o Velho Testamento, Isaías 9:1 diz: “O caminho do mar, além do Jordão, a Galiléia dos gentios”. Originalmente a terra prometida foi dada ao povo de Israel. Mais tarde foi dividida em reino do norte e o reino do sul. O reino do norte se tornou o reino de Israel; o reino do sul se tornou o reino de Judá. O reino de Israel terminou mais cedo porque a Assíria o destruiu. Em 2 Reis 17, é dito que o rei da Assíria levou alguns israelitas cativos à Assíria, e o rei da Assíria trouxe gentios e os estabeleceu em Israel. Assim os israelitas se ajuntaram com as pessoas de outras nações. Por essa razão a região da Galiléia era chamada Galiléia dos gentios.
As pessoas no reino do sul de Judá e os judeus em Jerusalém desprezavam os da Galiléia porque eles não eram ortodoxos. Os judeus desprezavam os galileus, e Nazaré está na Galiléia. Em João 1, Filipe foi encontrar seu amigo Natanael. Ele disse: “Nós encontramos aquele de quem Moisés e os profetas escreveram. Ele é Jesus de Nazaré”. E Natanael respondeu: “Pode alguma coisa boa vir de Nazaré?” este era o conceito dos judeus ortodoxos. Nada de bom pode vir de Nazaré. Assim como pode este Alguém prometido por Moisés e pelos profetas vir de Nazaré? Filipe não argumentou com ele mas disse: “Venha e veja”. Assim Nazaré era um lugar desprezado pelos judeus.
Quando vamos a João 7, o sumo sacerdote e os fariseus enviaram soldados para prender Jesus. Quando estes soldados voltaram, não tinham Jesus em custódia. Perguntaram a eles: “Porque não O prenderam?” Eles dissera: “Nós nunca ouvimos alguém que falasse como Ele”. E os sacerdotes e escribas disseram: “Vocês são pessoas sem conhecimento. Creu algum dos fariseus ou das autoridades neste Jesus?”
Nicodemos estava lá, ele era aquele que visitou o Senhor à noite. Ele se tornou cristão secretamente, e disse: “É contra a lei condenar uma pessoa sem primeiro interrogá-lo”. Os outros fariseus disseram: “Você também foi enganado? Vá e busque nas Escrituras e veja que nenhum profeta vem da Galiléia”. Na verdade, nenhum destes fariseus buscou suficientemente bem nas Escrituras porque Jonas era da Galiléia. Nazaré da Galiléia era um lugar desprezado, mas nosso Senhor cresceu ali.
OS PRIMEIROS ANOS DE NOSSO SENHOR
Pouco está registrado na Escritura do tempo em que nosso Senhor tinha dois anos até que tivesse trinta anos. Ele cresceu em Nazaré. Do ponto de vista do homem, Ele era desprezado e era considerado como nada. Pode ser razoável que o homem não tenha registro destes anos, mas surpreendentemente Deus também não tem suficiente registro. Aquele período da história do Senhor foi mencionado somente em Lucas 2, e muito poucas palavras, somente dois versos com uma historia curta neles.
Em Lucas 2:40 é dito: “E o menino ia crescendo e fortalecendo-se, ficando cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele”. Apenas esta frase única nos fala sobre Sua infância. Ele cresceu gradualmente e se fortaleceu. Isto se refere ao Seu crescimento físico. Certamente quando uma criança cresce, a primeira coisa que cresce é o corpo. Então Ele foi cheio de sabedoria, e Seu conhecimento aumentou. Isto se refere ao crescimento da Sua alma. Então a graça de Deus estava sobre Ele, nos mostrando que Seu espírito também cresceu. Assim nosso Senhor cresceu de forma completa – corpo, alma e espírito. Era um crescimento muito saudável e prefeito, descrito em apenas uma frase. Outros detalhes não foram registrados.
Adicionalmente, Lucas nos fala sobre o evento quando Ele tinha doze anos e seus pais o trouxeram a Jerusalém. Por que razão? De acordo com o costume dos judeus naquele tempo, um menino judeu era educado em casa até a idade de doze anos – sua educação religiosa. Quando alcançava os doze anos, se tornava um filho da lei. E isto é o que acontece com os meninos judeus hoje quando têm treze anos. Eles passam pelo Bar Mitzvah, o ritual para se tornar filho da lei. Depois que um menino passa por este ritual, formalmente se torna um filho da lei. Ele é considerado um adulto, e tem uma parte, um lugar na sinagoga. Ele pode fazer perguntas; ele pode responder perguntas. Anteriormente, seus pais eram responsáveis por ele, agora ele é responsável diante de Deus por si mesmo.
Quando nosso Senhor tinha aproximadamente doze anos, Seus pais o trouxeram para Jerusalém. Ali, Ele formalmente se tornou um filho da lei. Outros meninos passaram pelo Bar Mitzvah e formalmente se tornaram filhos da lei. Eles conheciam um pouco a lei e também guardavam um pouco da lei. Este era o final do Bar Mitzvah. Mas este não foi o final para o nosso Senhor. Depois que nosso Senhor se tornou um filho da lei, ele permaneceu em Jerusalém quando Seus pais retornaram para casa. Seus pais procuraram por Ele por três dias e finalmente O encontraram. Sua mãe disse: “Porque você fez isso, fazendo Seu pai e eu ficarmos tão preocupados?” O Senhor estava no templo sentado entre os mestres da lei. Ele fazia e respondia perguntas, e todos estavam maravilhados com Sua sabedoria. Quando Seus pais perguntaram a Ele: “Porque fizeste isto?” Ele respondeu: “Porque vocês estão preocupados? Vocês não sabem que devo me ocupar com os negócios do Meu Pai?”
Este é um mistério que nós não podemos entender plenamente. Nosso Senhor é Deus. Quando Ele veio a terra para ser um Homem, Ele ainda era plenamente Deus e era também completamente Homem. Ele começou como um bebê, crescendo gradualmente no corpo, no conhecimento e também na experiência espiritual. Enquanto nosso Senhor crescia, interiormente entendia mais e mais de onde veio e entendia mais e mais que Seu Pai estava no céu. Quando tinha doze anos e se tornou filho da lei, não somente passou exteriormente por uma cerimônia religiosa, mas interiormente se tornou mais próximo do Seu Pai celestial. Ele sentiu: “Devo estar atento aos negócios do Meu Pai. Todo Meu ser é para o Meu Pai. Devo estar na casa do Meu Pai”. Por isso permaneceu no templo. Mas porque tinha apenas doze anos, não tinha ainda treze, não era independente. Ele era menor, por isso obedeceu a Seus pais terrenos e voltou com eles para Nazaré.
Antes de Ele voltar a Nazaré, a Bíblia descreve Sua vida em somente uma frase. Em Lucas 2:52, é dito: “E crescia Jesus em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e dos homens”. A respeito do Seu crescimento até a idade de doze anos, o conhecimento é mencionado primeiro, então seu crescimento corporal. Ele também crescia na graça de Deus e dos homens. Durante estes dias de formação da vida de nosso Senhor na terra, Seu crescimento era perfeito. Ele não crescia apenas fisicamente, mas crescia também em conhecimento e em espírito. Hoje, alguns jovens crescem muito fisicamente, e alguns também prestam muita atenção no ganhar conhecimento, mas não há graça diante de Deus e dos homens, não há crescimento na vida espiritual. Mas o crescimento de nosso Senhor foi completo.
Porque não há registro na Bíblia destes trinta anos da Sua vida? Porque Deus o colocou em Nazaré? O que Deus queria realizar? Pelo que Deus queria que nosso Senhor passasse em Nazaré? Sabemos que Ele viveu em Nazaré cerca de trinta anos. Ele não esteve desocupado; Ele aprendeu um ofício. Ele aprendeu a profissão de carpinteiro porque Seu pai era um carpinteiro. Mais tarde, a Bíblia menciona que era o Carpinteiro, aquele Carpinteiro. O Carpinteiro é diferente de outros carpinteiros. Os outros carpinteiros podiam aparar os cantos em seu trabalho, mas Sua habilidade profissional era perfeita. Este era nosso Senhor. Ele não viveu descuidadamente, mas aprendeu diligentemente e por esta razão se tornou o Carpinteiro.
A VIDA ESCONDIDA DE NOSSO SENHOR
Sua vida em Nazaré foi desconhecida para o homem. O homem não conhece, e não quer conhecer, porque Nazaré era um lugar para ser desprezado. Mas nosso Senhor ficou em Nazaré por todos estes anos. O que aconteceu a Ele? Qual é a história? Penso que esta história é muito santa, e é conhecida somente por Deus. É por isso que Deus não nos conta esta parte da história. Nosso Senhor viveu uma vida escondida ali. O homem não a conheceu, mas Deus a conheceu. Na visão do homem, Ele viveu uma vida muito comum. Ele se tornou um carpinteiro, mas o relacionamento entre Ele e Deus era muito santo. Ele compreendeu mais e mais o coração de Deus. Ele teve comunhão com Seu Pai no lugar secreto. Quando via os pássaros, via o cuidado do Pai celestial. Quando via os lírios, via quão perfeito era o cuidado de Deus. Em todas as coisas Ele via Seu Pai, e tinha uma doce comunhão com Seu Pai. Assim nestes dias escondidos, o Pai celestial O estava treinando, equipando e preparando para a obra que estava à frente Dele. Embora Nazaré fosse desprezada pelos homens, Seu tempo ali foi usado por Deus para plenamente O equipar.
UM CHAMAMENTO MAIS ALTO
Nós que seguimos o Cordeiro, que começamos em Belém, Deus quer nos levar também a Nazaré. Naturalmente, gostamos de ser reconhecidos por outros, mas nós que seguimos o Cordeiro precisamos ter uma vida escondida. Não podemos viver somente diante dos homens, temos que viver diante de Deus. O sermão da montanha em Mateus 6 nos mostra que devemos ter uma vida no lugar secreto. Não devemos apenas viver diante dos homens. Quando damos esmolas não devemos deixar outras pessoas verem. Não devemos orar para que outros escutem. Quando jejuamos não devemos jejuar para receber o louvor dos homens. Hoje, vivemos nossa vida muito mais diante dos homens. Mesmo nossa vida espiritual é vivida diante dos homens. Queremos que outras pessoas vejam como tememos a Deus e quão zelosos somos. Temos uma vida escondida? Temos uma vida que é no lugar íntimo? Se não vivemos no lugar secreto do Altíssimo, como podemos habitar na sombra do Todo Poderoso?
Agradecemos e louvamos o Senhor por sermos seres humanos vivendo uma vida cristã. Isso não quer dizer que depois de nos tornarmos cristãos, não vivemos como os seres humanos. Alguns dizem que se você é espiritual você não é mais humano. E quanto menos você parecer um ser humano, mais espiritual você é. Isso tudo é errado. Quando nosso Senhor estava na terra, Ele era totalmente humano. Ele era um Homem perfeito. Ele cresceu em Seu corpo físico, cresceu no conhecimento e a graça de Deus e dos homens crescia em direção a Ele.
Deveria ser o mesmo conosco hoje. Como cristãos, nosso corpo físico tem que crescer e devemos cuidar de nossa saúde, especialmente os jovens. Não abuse do seu corpo. Por causa do Senhor, você deveria ter um corpo saudável e forte. E por causa do Senhor você deveria crescer no conhecimento. Também, por causa do Senhor, você deveria ter uma vida espiritual. Mais uma vez, não quer dizer que se você tem uma vida espiritual você não é mais humano. Na realidade, é porque você tem uma vida espiritual é que você pode verdadeiramente viver como um ser humano. Hoje o homem não vive como homem porque não tem uma vida espiritual. Se realmente queremos ser humanos, precisamos ter uma vida espiritual. Os filhos de Deus precisam prestar atenção em sua vida espiritual. Esta vida é escondida, não conhecida pelo homem, mas conhecida por Deus.
Temos tal vida? Tudo o que somos é conhecido para as outras pessoas? Exceto pelo que é externo, não temos nada por dentro? Que tal sua comunhão com o Senhor, sua vida de oração, sua vida de leitura da Escritura, sua vida de conhecimento do Senhor? Você conhece a Deus no secreto? Você vê Deus em todas as coisas? O seu relacionamento com Deus tem se tornado mais e mais de perto? Você tem um sentimento interior de que Deus tem Seu propósito em colocar você nesta terra? Qual é este propósito? É ele somente para o seu próprio desfrute? É ele apenas para sua família? É ele apenas para a sociedade, para a nação, para todo mundo? Ou você tem um chamamento mais alto?
Quando nosso Senhor tinha doze anos, soube que tinha que estar ocupado com os negócios do Seu Pai. Ele soube que este era o propósito para o qual Deus O tinha enviado a terra. Temos este sentimento? Temos sido conduzidos a um lugar de consciência interior de que fomos criados, fomos salvos, e que Deus tem um alto propósito para nós? Ele quer que vivamos para Ele. Ele quer que sirvamos ao Seu propósito. Ele quer que estejamos ocupados com Seus negócios. Este é o chamamento de Deus para cada um de nós. Não importa em qual negócio eu esteja envolvido na terra, eu sirvo a Deus. Este é propósito para a minha vida.
Você tem esta consciência em você e faz com que esta consciência cresça em você? Ou você apenas pensa que está nesta terra por posição, por fama e por você mesmo? Se isto é o que você pensa, você não tem uma vida escondida. Você não conhece a vontade de Deus. Precisamos ter esta vida escondida. Se você tiver mais comunhão com o Senhor creio que este pensamento e esta consciência crescerão em você. É assim que o Senhor está preparando você, para que quando chegue a hora, você possa servi-Lo. Deus tem um propósito para cada um de nós, e cada um tem seu ministério específico. Deus precisa de um período de tempo para que então possa preparar você em secreto. Mas muitos filhos de Deus se esqueceram disto e negligenciaram este tempo precioso de crescimento. Eles apenas prestam atenção no crescimento do corpo e do conhecimento. Eles desrespeitam o crescimento do espírito. Se este é o caso, um dia quando saírem para servir, não estarão aptos para cumprir a vontade de Deus.
Por isso este período de tempo em Nazaré é muito, muito precioso. As pessoas podem desconhecer, mas Deus conhece. Neste período de tempo escondido entre você e Deus, você vem a conhecer a Deus. Você vem a conhecer o coração e a mente de Deus. Isto é Nazaré.
Você viveu em Nazaré? Você habitou em Nazaré tempo suficiente? Nosso Senhor gastou cerca de vinte e oito anos em Nazaré. Quando saiu para o ministério público com a idade de trinta anos, estava plenamente preparado.
Esta é a experiência de Nazaré em nossa vida. No caminho seguindo o Cordeiro, precisamos ter um período de tempo quando habitamos em Nazaré. Ali, no lugar secreto, vamos conhecer mais de Deus e de Sua vontade. Ali podemos ser edificados por Ele para que Ele mesmo possa ser constituído mais e mais em nós. Isto é Nazaré.
O TRABALHO DO SENHOR NA GALILÉIA
Em Mateus 4 vemos que nosso senhor tinha trinta anos de idade quando começou Seu ministério público. João o batista foi Seu precursor, e ele começou a pregar seis meses antes do Senhor Jesus. O que ele pregava? Ele dizia: “O reino dos céus é chegado; vocês têm que se arrepender”. Ele não pregou em Jerusalém, mas Deus o conduziu ao deserto da Judéia para ser uma voz. Hoje, quando pregamos, vamos para o meio dos homens. Vamos a Jerusalém porque este é o centro religioso. Mas muito interessante, Deus conduziu João ao deserto e ele pregou ali. Multidões vieram de Jerusalém, de toda Judéia e Galiléia ao deserto para ouvi-lo. Seria porque Deus considerou Jerusalém muito judaizada? O judaísmo se tornou um sistema, uma organização. Ele se tornou uma religião, totalmente separada do Deus vivo. Deus queria Sua voz do lado de fora de Jerusalém para que os homens saíssem de Jerusalém para ouvir a Palavra de Deus. A obra de Deus muitas vezes é assim. Quando as coisas se tornam um sistema, um sistema religioso, ao ponto que nem mesmo Deus não pode mudá-lo, Deus nos chama para sair do sistema. Assim João estava fora dali dizendo: “Arrependam-se, pois o reino dos céus é chegado”.
Nosso Senhor também veio da Galiléia para o deserto da Judéia, e no rio Jordão foi batizado por João. Ele se ofereceu completamente a Deus. Ele queria ser o Cordeiro que seria morto. Ele foi preparado para ser morto, para consumar a vontade de Deus. Então o Espírito O conduziu para o deserto e foi tentado pelo maligno. Ele teve que vencer Satanás. Então retornou, cheio do poder do Espírito, para pregar o evangelho.
Dentre os evangelhos, somente o evangelho de João (do capítulo 1 ao 5) registra o que o Senhor fez em Jerusalém. Começando no capítulo 6, João menciona sobre Sua obra na Galiléia. Mateus, Marcos e Lucas começam na Galiléia, mas Sua obra inicial, a obra na Judéia não foi mencionada. É por isso que dizemos que a maioria da obra do Senhor foi feita na Galiléia. Ele gastou muito tempo na Galiléia. Ele foi pregando em todas as cidades e vilas. De fato, Ele foi a Jerusalém e fez alguma obra ali. Mas Sua obra foi principalmente na Galiléia porque os judeus em Jerusalém estavam apoiados no judaísmo e nas tradições dos pais. Não era fácil para eles receberem a Palavra de Deus. Embora bem no princípio eles tenham recebido bem o Senhor, logo O rejeitaram. Eles não aceitaram nosso Senhor. Por isso a obra de nosso Senhor foi entre aqueles que eram desprezados porque os da Galiléia eram desprezados. Eles eram desprezados e rejeitados pelos judeus, mas a maioria da obra do Senhor foi entre eles. Ali Ele serviu.
O SENHOR TRABALHOU CONFORME A VONTADE DO PAI
Qual era a natureza de Sua obra durante os três anos e meio? Primeiro, o padrão da Sua obra era a vontade de Seu Pai. Ele não trabalhava por causa da obra. Ele trabalhou para o Seu Pai. Ele trabalhou conforme a vontade do Pai. Se fosse a vontade do Seu Pai, então poderia fazê-lo. Se não fosse a vontade do Pai, mesmo que os homens pensassem que deveria fazer, Ele não faria.
Você se lembra que os Seus irmãos de carne não creram Nele. Certa vez antes de uma festa Seus irmãos disseram a Ele: “Você deveria subira à festa. Se você quer ser conhecido publicamente, como pode permanecer neste pequeno lugar?” Mas o Senhor disse: “Minha hora ainda não chegou. A hora de vocês é sempre oportuna. Vocês podem ir”. Quando Ele percebeu que o tempo do Seu Pai tinha chegado, então Ele foi.
No evangelho de João o Senhor disse: “Não posso fazer nada de Mim mesmo. Faço apenas aquilo que vejo Meu Pai fazer. E não digo nada por Mim mesmo. Digo o que ouço Meu Pai dizer. Meu tempo está nas mãos do meu Pai”.
Nosso Senhor serviu Seu Pai. Ele não serviu uma obra. Hoje, nós muitas vezes trabalhamos por causa da obra. Não estamos realmente servindo a Deus. Nosso Senhor é absolutamente fiel para com Deus, absolutamente obediente, a ponto de morrer, mesmo a morte de cruz. Esta é a direção da obra de nosso Senhor.
O CORAÇÃO DO SENHOR É SERVIR
Segundo, quando nosso Senhor trabalhava, não estava simplesmente fazendo algo exteriormente, Ele era muito diligente. O evangelho de Marcos caracteriza isso com a palavra “imediatamente, logo”. Nosso Senhor serviu diligentemente, e estava sempre pronto. Logo pela manhã Ele se levantava e orava. Ele caminhava por todas as cidades e vilas na Galiléia. Ele não somente era diligente exteriormente, interiormente era manso e humilde, cheio de misericórdia e de amor. Uma cana esmagada Ele não quebrava, o pavio que fumegava Ele não apagava. Ele era cheio de compaixão. Este era o coração do nosso Senhor.
Ele foi por muitos lugares. Ele pregou, curou e expulsou demônios. Ele fez boas obras, mas no final os galileus O rejeitaram. Os galileus disseram: “Nós O conhecemos. Sabemos quem Seus irmãos. Sabemos quem são Suas irmãs. De onde vem esta sabedoria?” Eles julgaram o Senhor de acordo com a carne. Assim não puderam conhecê-Lo. Hoje se queremos conhecer nosso Senhor precisamos conhecê-Lo no espírito. Foi por isso que Ele gastou muito tempo muito tempo na Galiléia.
Em Mateus 11 o Senhor disse: “Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que teriam se arrependido, com saco e com cinza. Mas vocês não se arrependeram”. As pessoas rejeitaram a obra de nosso Senhor, mas mesmo assim Ele não desistiu. Ele disse: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos”. As pessoas do mundo pensam que são muito espertas. Não querem receber nosso Senhor. Mas se você se humilhar como uma criança, então entenderá. Assim, esta é a obra de nosso Senhor na terra.
Na terra Ele não gritou nem levantou Sua voz, e não contendeu. Ele não buscou a glória do homem; Ele buscou somente a glória do Pai. Este era o coração do nosso Senhor quando serviu estes três anos e meio. Podemos verdadeiramente dizer que quando Ele estava na terra, serviu a Deus. Ele não serviu a Si mesmo, Ele serviu a Deus. Isto é o que a Galiléia nos mostra.
A VERDADEIRA OBRA DIANTE DE DEUS
Hoje, nós que fomos chamados por Deus conhecemos o coração de Deus. Fomos preparados por Deus em um lugar escondido, e agora somos enviados por Ele para servir. Todos os irmãos e irmãs servem. Servimos em diferentes lugares e posições de acordo com a graça e o dom que Deus nos deu. Quando servimos, Deus é o foco? Quando servimos, estamos ocupados com a obra, para fazermos da obra nosso objetivo? Quando servimos, queremos ser bem sucedidos aos olhos dos homens? Queremos ser recebidos pelo homem e ter a glória dos homens? Ou apenas buscamos a glória de Deus? Se O servirmos fielmente, encontraremos rejeição dos homens. Os homens não entendem, mas nós agradecemos e louvamos a Deus, se O servimos fielmente, o propósito de Deus pode ser consumado. Assim o que vemos não são apenas as coisas palpáveis; vemos a Ele que é invisível. Por esta razão não desfalecemos e não tememos.
Que nós possamos também viver a vida da Galiléia. Possam todos os irmãos e todas as irmãs ter um verdadeiro serviço diante de Deus. Mas lembre-se, se você não tem a vida escondida em Nazaré, você não pode fazer a obra de Deus na Galiléia, porque o verdadeiro serviço é o fluir da vida. É por isso que se você não é rico e abundante em vida, não pode ter um serviço fiel. Sua vida escondida determina seu serviço público e se aquele serviço tem algum valor espiritual. Assim possa Deus ser gracioso para conosco. Não somente começamos em Belém, também fomos a Nazaré, e então viemos a Galiléia.
Vamos orar:
Senhor nós Te pedimos que Tu fales ao nosso coração. Revela Teu coração a nós para que vejamos a importância de uma vida escondida, então poderemos verdadeiramente servir a Ti em público. No nome do Senhor Jesus. Amém.
Leia agora: Seguindo o Cordeiro no Getsêmani.
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